![]() |
| Desabamento de um casarão na comunidade do Pilar /Foto:Karol Rodrigues/DP |
Defensoria Pública afirma que solicitou informações dias antes da tragédia; dados não teriam sido repassados de forma completa
A morte de duas pessoas após o desabamento de um casarão na comunidade do Pilar, no Centro do Recife, no último dia 6 de abril, reacendeu o debate sobre a atuação do poder público em áreas de risco na capital pernambucana.
A tragédia, que também deixou feridos, ganha contornos ainda mais sensíveis diante de informações da Defensoria Pública do Estado de Pernambuco, que afirma acompanhar a situação do imóvel desde janeiro de 2025, quando já havia indícios de risco estrutural.
De acordo com o órgão, foram solicitadas à Prefeitura do Recife, no fim de março deste ano, informações detalhadas sobre as condições das residências na área e as medidas que estariam sendo adotadas para prevenir acidentes. No entanto, segundo a Defensoria, os dados não teriam sido repassados de forma completa.
Menos de uma semana depois, o imóvel desabou, resultando em duas mortes.
Relatórios técnicos anteriores já apontavam o alto risco da estrutura, com base em análises da Defesa Civil. Em decisões judiciais, chegou-se a reconhecer a gravidade da situação, condicionando a permanência de moradores à adoção de medidas que reduzissem os riscos, ações cuja efetividade passou a ser questionada após o ocorrido.
Outro ponto que chama atenção é o posicionamento da Procuradoria do Município, que, segundo a Defensoria, teria se manifestado contra o fornecimento integral das informações solicitadas.
A situação levanta questionamentos sobre transparência, prevenção e responsabilidade na gestão de áreas vulneráveis.
Drama antigo e recorrente
A comunidade do Pilar convive há anos com problemas estruturais e precariedade habitacional. Moradores relatam insegurança constante e cobram soluções definitivas por parte do poder público.
Parte das famílias afetadas aguardava inclusão em programas habitacionais, enquanto permanecia em imóveis com condições consideradas inadequadas.
Após o desabamento, houve manifestações na região, com cobrança por respostas e medidas concretas.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura do Recife informou que o imóvel não pertence ao município e destacou limitações de atuação relacionadas a questões legais e patrimoniais.
A gestão também afirmou que já havia adotado medidas como a tentativa de retirada de moradores da área, oferta de auxílio moradia e desenvolvimento de projetos habitacionais para a região.
Pressão por apuração
Diante da sequência dos fatos, risco previamente identificado, pedido de informações e a ocorrência da tragédia, cresce a pressão para que órgãos de controle e fiscalização aprofundem a apuração sobre o caso.
Em meio à repercussão, o vereador Eduardo Moura publicou um vídeo nas redes sociais denunciando a situação das moradias no Pilar. Na gravação, ele cobra providências e questiona a falta de transparência diante de um risco que, segundo ele, já era conhecido.
VEJA AGORA:
O episódio reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes para prevenção de desastres urbanos e proteção de populações em situação de vulnerabilidade.
A tragédia no Pilar levanta uma questão central: até que ponto situações de risco já conhecidas estão sendo tratadas com a urgência necessária?
E mais: o que pode, e deve, ser feito para evitar que casos como esse se repitam?
.gif)



.png)

