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| Reportagem especial do Bora Pernambuco reúne documentos oficiais, contexto institucional e entrevista exclusiva com o ex-presidente Evandro Alencar sobre as eleições do CREA-PE 2026./ Foto: Ilustação/IA/Bora PE |
Ex-presidente do CREA-PE, Evandro Alencar, defende transparência, igualdade entre os candidatos e maior participação dos profissionais, enquanto documentos oficiais revelam intensa atuação das comissões eleitorais durante o processo eleitoral
A poucos dias da eleição que definirá a nova diretoria do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (CREA-PE), marcada para 3 de julho, o processo eleitoral de 2026 tornou-se um dos mais debatidos dos últimos anos. Representações eleitorais, recursos administrativos e sucessivas deliberações das instâncias responsáveis pela condução do pleito passaram a integrar o cenário da campanha, ampliando o interesse dos profissionais sobre a transparência e a lisura da eleição.
Os documentos publicados pela Comissão Eleitoral Regional (CER-PE) e pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) demonstram que diversos procedimentos previstos no Regulamento Eleitoral foram instaurados ao longo da campanha. Esses atos fazem parte dos mecanismos institucionais destinados a assegurar a legalidade, a igualdade entre os candidatos e a legitimidade do processo eleitoral.
Até a publicação desta reportagem, a documentação oficial consultada registra a existência de representações, recursos e deliberações relacionados ao processo eleitoral. A existência de uma representação, entretanto, não significa o reconhecimento de irregularidade, uma vez que cada caso é analisado pelas instâncias competentes, assegurando o contraditório e a ampla defesa.
O que dizem os documentos oficiais
A consulta aos atos disponibilizados no portal oficial das Eleições 2026 do CREA-PE demonstra uma atuação permanente da Comissão Eleitoral Regional durante todo o processo eleitoral.
Entre os documentos publicados estão:
Editais de Representação Eleitoral;
Deliberações da Comissão Eleitoral Regional (CER-PE);
Recursos administrativos interpostos por candidatos;
Julgamentos de representações eleitorais;
Decisões da Comissão Eleitoral Federal (CEF).
Também integram o acervo oficial comunicados e decisões relacionadas à aplicação do Regulamento Eleitoral do Sistema Confea/Crea e Mútua, que disciplina a campanha e estabelece procedimentos para garantir igualdade de condições entre os concorrentes.
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| Foto: Ilustração/IA/Bora PE |
De acordo com o regulamento, podem ser objeto de representação situações como: propaganda eleitoral irregular; uso indevido da estrutura institucional; abuso de poder político ou econômico; utilização irregular dos meios de comunicação; divulgação de informações falsas; descumprimento das normas eleitorais.
Esses mecanismos fazem parte do sistema de fiscalização criado para assegurar igualdade entre os candidatos e a legitimidade do processo eleitoral.
Debate também chegou à Alepe
O debate sobre a atuação e a governança do CREA-PE também ultrapassou os limites da própria instituição. Em pronunciamentos realizados na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o deputado estadual Alberto Feitosa levou à tribuna questionamentos relacionados à gestão do Conselho, à fiscalização exercida pela autarquia e à necessidade de maior transparência administrativa. Os pronunciamentos ampliaram o debate público sobre a instituição e contribuíram para dar maior visibilidade ao processo eleitoral.
Entenda o Sistema Confea/Crea e Mútua
O Sistema Confea/Crea e Mútua é responsável por regulamentar, orientar e fiscalizar o exercício das profissões da engenharia, agronomia e das geociências em todo o Brasil.
O Confea estabelece as diretrizes nacionais, normatiza o Sistema e julga recursos administrativos em última instância.
Os Creas atuam nos estados, registrando profissionais e empresas, fiscalizando o exercício profissional e protegendo a sociedade por meio da fiscalização técnica.
Já a Mútua é a caixa de assistência dos profissionais registrados, oferecendo benefícios sociais, programas de apoio e linhas de crédito.
Por isso, a eleição do CREA-PE ultrapassa a escolha de uma diretoria. Ela define quem conduzirá uma das instituições mais importantes para a valorização profissional e para o desenvolvimento da engenharia, da agronomia e das geociências em Pernambuco.
A experiência de quem já presidiu o CREA-PE
Engenheiro civil, Evandro Alencar presidiu o CREA-PE por dois mandatos consecutivos, entre 2015 e 2020. Durante sua gestão, também coordenou o Colégio de Presidentes dos Creas do Nordeste, representando Pernambuco nas discussões nacionais do Sistema Confea/Crea. Com ampla experiência na administração do Conselho e no acompanhamento de diferentes processos eleitorais, sua análise oferece uma perspectiva de quem conhece, por dentro, o funcionamento institucional e os desafios da entidade.
"Há um grande acirramento entre as candidaturas"
Em entrevista exclusiva ao Bora Pernambuco, o ex-presidente do CREA-PE, Evandro Alencar, afirmou que o atual processo eleitoral apresenta um ambiente de forte confronto entre as candidaturas.
"É natural que em um processo eleitoral sejam utilizados artifícios de confronto, que sejam denúncias midiáticas ou mesmo no âmbito jurídico. No entanto, temos percebido um grande acirramento entre as candidaturas, principalmente para o cargo de presidente do CREA-PE, nos mais variados tons, desde um possível 'abandono' do patrimônio da instituição pela atual gestão até questões de foro íntimo de candidatos."
Segundo ele, o ambiente de disputa exige maturidade institucional para preservar a confiança dos profissionais no processo eleitoral.
Transparência garante a legitimidade da eleição
Ao comentar os princípios que devem nortear a disputa, Evandro Alencar destacou que transparência e igualdade de oportunidades são indispensáveis para que o resultado seja reconhecido pela categoria.
"A transparência no pleito e a garantia da igualdade de direitos entre os candidatos são imprescindíveis para que a eleição goze da confiança dos eleitores, que são os profissionais das engenharias, da agronomia e das geociências."
O ex-presidente observa que, ao longo da campanha, surgiram diversos questionamentos relacionados ao cumprimento desses princípios.
"É sabido que estão ocorrendo muitas denúncias quanto a uma possível não observância desses critérios democráticos e necessários para que se tenha uma eleição justa e, portanto, legítima."
"Denunciar faz parte do jogo democrático"
Ao analisar o ambiente eleitoral, Evandro Alencar fez questão de diferenciar a apresentação de denúncias da comprovação de irregularidades.
"Nunca é bom para a instituição quando há exageros, seja de qual parte for. Porém, denunciar faz parte do jogo democrático e a denúncia, por si só, não descaracteriza nem desabona um pleito eleitoral."
Segundo ele, uma situação diferente ocorreria apenas diante da comprovação de práticas irregulares.
"Diferentemente da situação caso haja comprovação de malversação ou de uso da máquina para desequilibrar o pleito. Aí, sim, corre-se o risco de que possa arranhar a imagem da instituição perante a sociedade."
O voto deve ser consciente
Na avaliação do ex-presidente, cabe aos profissionais analisar cuidadosamente o histórico e as propostas apresentadas por cada candidatura.
"Que busquem analisar as propostas de cada candidatura, procurando enxergar o que esperam do CREA e o que cada candidato oferece, principalmente se essas propostas guardam sintonia com o histórico do candidato e com aquilo que ele defende na vida pública e privada."
Um convite à participação
Ao encerrar a entrevista, Evandro Alencar fez um apelo para que os profissionais exerçam o direito ao voto.
"Gostaria de deixar um convite aos profissionais do Sistema Confea, Crea e Mútua: participem da eleição, votando e, portanto, se posicionando, contribuindo assim para o fortalecimento da nossa instituição, por meio de uma maior representatividade para aquele que for eleito."
Ao futuro presidente do CREA-PE, ele também deixou uma mensagem.
"Que zele pelo patrimônio da instituição, que pertence aos profissionais e à sociedade como um todo, mas que zele, principalmente, pelos profissionais e empresas da engenharia, agronomia e geociências, que tanto contribuem para o desenvolvimento de Pernambuco."
O futuro do CREA-PE será definido nas urnas
Independentemente do resultado, a eleição de 2026 já se destaca como um dos processos mais debatidos da história recente do CREA-PE. A existência de representações oficiais, recursos administrativos, decisões das comissões eleitorais e discussões que chegaram ao debate público demonstram a importância da disputa para a categoria.
Ao mesmo tempo, os documentos oficiais deixam claro que existem mecanismos institucionais destinados a apurar eventuais questionamentos e assegurar que o processo eleitoral transcorra dentro das regras estabelecidas pelo Sistema Confea/Crea e Mútua.
Na próxima sexta-feira, engenheiros, agrônomos, geocientistas e demais profissionais registrados terão a oportunidade de definir quem conduzirá o CREA-PE pelos próximos anos. Mais do que escolher uma diretoria, estarão decidindo os rumos de uma instituição estratégica para o fortalecimento da engenharia, da agronomia, das geociências e para o desenvolvimento de Pernambuco.
Nota da Redação: Esta reportagem foi produzida com base em documentos públicos disponibilizados pelas instâncias eleitorais do Sistema Confea/Crea e em entrevista concedida pelo ex-presidente do CREA-PE, Evandro Alencar. As referências às representações eleitorais dizem respeito a procedimentos oficiais em tramitação e não representam, por si sós, o reconhecimento de irregularidades, cuja análise compete aos órgãos eleitorais do Sistema.
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