Presidente repete declaração durante convenção nacional do PDT, critica brasileiros que defendem sanções contra o país e volta a provocar reação da oposição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a provocar repercussão política nesta terça-feira (22) ao afirmar que, "antigamente, traidor era enforcado", durante discurso na convenção nacional do PDT, em Brasília. A declaração foi feita enquanto criticava brasileiros que, segundo ele, estariam atuando para prejudicar os interesses do país no exterior.
Embora não tenha citado o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no trecho da declaração, o discurso foi direcionado ao parlamentar em outros momentos da fala e ocorre poucas semanas após Lula utilizar a mesma expressão em referência ao senador, um dos principais nomes da oposição e pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
Críticas à oposição
Durante o evento, Lula afirmou que parte da oposição estaria incentivando ações internacionais contra o Brasil, em meio às recentes tensões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos.
Ao defender a soberania nacional, o presidente declarou:
"Neste país, antigamente, traidor era enforcado, porque trair a pátria é uma coisa muito grave."
Na sequência, também fez referência ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmando que vencerá a eleição presidencial mesmo que o governo dos Estados Unidos manifeste apoio ao adversário político.
"Se o secretário de Estado dos Estados Unidos quiser apoiar o nosso adversário, que venha. Pode montar comitê. Nós vamos derrotá-los."
As declarações ocorreram durante um discurso voltado à defesa do governo federal e à crítica de lideranças políticas que, segundo Lula, estariam buscando apoio externo para pressionar o Brasil.
Segunda vez que Lula utiliza a expressão
Esta é a segunda vez, em poucas semanas, que Lula utiliza a expressão sobre "traidor" e "enforcamento" em um discurso público.
Na primeira ocasião, a declaração levou o senador Flávio Bolsonaro a apresentar uma notícia-crime contra o presidente, alegando que a fala extrapolava os limites da liberdade de expressão e representaria incitação à violência.
O caso ainda não teve desfecho definitivo na Justiça.
Contexto político
A nova declaração ocorre em um momento de acirramento da disputa política nacional.
Nos últimos meses, integrantes do governo federal passaram a acusar parlamentares da oposição de buscar apoio junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar o Brasil em temas relacionados à política externa e às recentes medidas comerciais anunciadas por Washington.
Lula voltou a afirmar que recorrer a governos estrangeiros para pressionar o Brasil representa uma atitude incompatível com os interesses nacionais.
Debate histórico
A fala do presidente também reacendeu debates sobre um episódio semelhante ocorrido anteriormente.
Na declaração feita semanas atrás, Lula mencionou o período da Inconfidência Mineira ao tratar da figura do "traidor". Historiadores lembraram, entretanto, que quem foi executado na forca em 1792 foi Tiradentes, enquanto Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por delatar o movimento, não foi condenado à morte.
O episódio gerou ampla repercussão política e jurídica.
Oposição reage
Parlamentares da oposição criticaram a nova declaração e afirmaram que um chefe de Estado deve evitar expressões que possam ser interpretadas como incentivo à violência política.
Até a publicação desta reportagem, Flávio Bolsonaro ainda não havia anunciado oficialmente se adotará novas medidas judiciais em razão da declaração desta terça-feira.
Também não havia manifestação adicional do Palácio do Planalto além das declarações feitas pelo presidente durante o evento.
Clima eleitoral
A declaração acontece em um cenário de crescente polarização política e intensificação das articulações para as eleições presidenciais de 2026.
Nos bastidores, governo e oposição ampliam a disputa pelo eleitorado enquanto temas relacionados à política externa, economia e soberania nacional ganham espaço no debate público.
A fala de Lula voltou a dominar as discussões políticas nas redes sociais e entre lideranças partidárias, reacendendo o embate entre o Palácio do Planalto e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que disse Lula
"Neste país, antigamente, traidor era enforcado, porque trair a pátria é uma coisa muito grave."
"Se o secretário de Estado dos Estados Unidos quiser apoiar o nosso adversário, que venha. Pode montar comitê. Nós vamos derrotá-los."
Nota da Redação
As declarações reproduzidas nesta reportagem foram feitas publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento oficial do PDT, em Brasília. A matéria tem caráter estritamente informativo e busca contextualizar os fatos e as reações políticas decorrentes das falas, preservando o compromisso com a precisão jornalística e o contraditório disponível até o momento da publicação.





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