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| Lula, Trump e Maduro diante da bandeira da Venezuela, representando o debate sobre soberania, democracia e atuação dos EUA no país./ Foto: Ilustração / IA / Bora Notícia |
Presidente brasileiro questiona atuação dos Estados Unidos após anos de crise política, denúncias de repressão e contestação eleitoral na Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar Donald Trump durante entrevista à CNN Internacional nesta segunda-feira (21). O brasileiro questionou a atuação dos Estados Unidos na Venezuela e afirmou que a presença americana no país “não é boa para a democracia”.
Segundo Lula, os Estados Unidos estariam passando a impressão de que “estão governando a Venezuela”. O presidente brasileiro também afirmou que a soberania venezuelana teria sido comprometida e defendeu que o país volte a realizar eleições.
Lula disse ainda que, se estivesse no lugar de Delcy Rodríguez, convocaria novas eleições para que os venezuelanos escolhessem o próximo presidente.
Venezuela vive uma nova fase após a saída de Maduro
A declaração ocorre depois de uma mudança histórica no cenário político venezuelano.
Em janeiro de 2026, Nicolás Maduro foi retirado do poder e levado aos Estados Unidos. Desde então, Delcy Rodríguez, que fazia parte do governo anterior, passou a comandar o país de forma interina.
O governo de Donald Trump apresentou a operação como uma ação relacionada à segurança nacional e ao combate ao narcotráfico e a organizações consideradas ameaças aos Estados Unidos.
Washington também passou a defender uma transição política e econômica na Venezuela.
Crise venezuelana começou muito antes
A crise política da Venezuela, porém, não começou com a intervenção americana.
Durante anos, o governo de Nicolás Maduro foi alvo de denúncias internacionais de repressão contra opositores, prisões arbitrárias, restrições à imprensa e violações de direitos humanos.
A eleição presidencial de 2024 se tornou um dos principais pontos de conflito.
O Conselho Nacional Eleitoral declarou Maduro vencedor com 51,2% dos votos. A oposição contestou o resultado e apresentou atas eleitorais que, segundo organizações independentes, apontavam vantagem de Edmundo González.
O Carter Center, que acompanhou a eleição, analisou mais de 80% das atas obtidas pela oposição. Segundo a organização, os documentos indicavam 67,1% dos votos para González e 30,4% para Maduro.
O organismo também afirmou que a falta de transparência na divulgação dos resultados impediu uma verificação independente do resultado oficial.
Milhões de venezuelanos deixaram o país
Enquanto a crise política avançava, a Venezuela também enfrentava uma grave crise econômica e social.
Milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos. A Human Rights Watch estima que cerca de 8 milhões de pessoas tenham saído da Venezuela desde 2014.
A pobreza, a falta de oportunidades e a deterioração dos serviços públicos contribuíram para um dos maiores movimentos migratórios da história recente da América Latina.
O cenário ajuda a explicar por que a situação venezuelana passou a ser uma preocupação para países vizinhos, incluindo o Brasil.
Mesmo depois de Maduro, problemas continuam
A saída de Maduro não resolveu automaticamente os problemas políticos da Venezuela.
Em relatório divulgado neste mês, uma missão independente de investigação ligada à ONU afirmou que estruturas de repressão existentes no país continuam, em grande parte, preservadas.
O documento reconheceu algumas medidas de abertura adotadas após a saída de Maduro, mas afirmou que elas ainda são limitadas e podem ser revertidas.
Na prática, a Venezuela continua enfrentando o desafio de reconstruir instituições políticas e garantir eleições livres, liberdade de oposição e respeito aos direitos humanos.
Lula volta a criticar Trump
Na entrevista, Lula também voltou a criticar Donald Trump.
O presidente brasileiro chamou novamente o americano de “imperador” e afirmou que Trump foi eleito para governar os Estados Unidos, não outros países.
“Ele tem o direito de governar para os EUA, mas não tem o direito de governar outros países”, afirmou Lula.
A declaração mostra que a Venezuela continua sendo um dos principais pontos de divergência entre Brasília e Washington.
Enquanto Lula insiste na defesa da soberania e do princípio de não intervenção, o governo Trump mantém uma política de forte pressão sobre Caracas.
Soberania e democracia no centro do debate
A posição de Lula coloca duas questões importantes na discussão sobre o futuro da Venezuela.
A primeira é a soberania nacional: até que ponto um país estrangeiro pode interferir diretamente nos assuntos políticos de outra nação?
A segunda é a democracia: como garantir eleições livres e direitos políticos depois de anos de denúncias de repressão e contestação dos resultados eleitorais?
Os dois problemas continuam presentes.
A Venezuela agora precisa avançar em uma transição política capaz de garantir participação popular, instituições funcionando e liberdade para a oposição.
Ao defender a soberania venezuelana, Lula coloca o Brasil ao lado de uma posição contrária à intervenção americana. Ao mesmo tempo, a realidade venezuelana mostra que a defesa da soberania não elimina a necessidade de cobrar eleições transparentes, liberdade política e respeito aos direitos humanos.
O futuro da Venezuela continuará sendo acompanhado de perto pelos países da região, especialmente pelo Brasil, que divide uma extensa fronteira com o território venezuelano.





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