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Lula e Zohran Mamdani têm encontro previsto em Nova York durante a programação da Assembleia Geral da ONU./Foto: Ilustração/IA/Bora Notícia |
Presidente brasileiro abre a Assembleia Geral nesta terça-feira (22), terá encontro com prefeito socialista democrata de Nova York e deve abordar soberania, eleições e combate ao crime organizado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York neste domingo (20) para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. A viagem acontece em um momento de forte movimentação política no Brasil, a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições.
O principal compromisso será nesta terça-feira (22), quando Lula fará o tradicional discurso de abertura do Debate Geral da ONU. Logo depois, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A ordem dos discursos segue uma tradição mantida desde 1955: o Brasil abre o Debate Geral e os Estados Unidos, país-sede da organização, vêm na sequência. A ONU informa que os 193 Estados-membros participam do encontro, que neste ano tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Lula e Trump no mesmo palco
A proximidade entre os dois discursos coloca Lula e Trump novamente no centro das atenções internacionais.
Até o momento, não há uma reunião bilateral formal confirmada entre os dois presidentes. Um eventual encontro informal, porém, não está descartado, já que ambos estarão no mesmo local e participarão da abertura da Assembleia na terça-feira.
A imprensa brasileira também registra que uma conversa entre os dois é considerada possível nos bastidores, embora a curta permanência de Lula em Nova York dificulte uma reunião oficial.
O cenário é acompanhado de perto porque Brasil e Estados Unidos atravessam uma fase de divergências em temas comerciais, diplomáticos e políticos.
Soberania e eleições devem aparecer no discurso
Antes mesmo da fala oficial, informações sobre a preparação do discurso indicam que Lula deverá defender a soberania brasileira e criticar interferências estrangeiras em assuntos internos do país.
A questão ganha peso político porque o discurso ocorre justamente na reta final da campanha eleitoral brasileira.
Segundo a Folha, Lula deverá abordar a questão da interferência estrangeira nas eleições brasileiras sem citar diretamente os Estados Unidos ou Donald Trump. O governo também pretende tratar do combate ao crime organizado.
O conteúdo definitivo, entretanto, só poderá ser conhecido quando Lula subir à tribuna.
Encontro com Mamdani chama atenção
Antes do discurso na ONU, Lula tem encontro previsto com Zohran Mamdani, prefeito de Nova York.
Mamdani se identifica como socialista democrata e é um dos nomes que ganharam projeção na política americana nos últimos anos. O prefeito também é um crítico de Trump.
A reunião está prevista para esta segunda-feira (21) e foi solicitada pelo próprio prefeito, segundo informações divulgadas pela imprensa.
O encontro ocorre em um momento curioso da política americana: Mamdani e Trump têm posições políticas bastante diferentes, mas os dois também mantêm uma agenda de reuniões institucionais durante a passagem do presidente americano por Nova York.
Para Lula, o encontro com Mamdani integra uma agenda diplomática mais ampla durante a Semana de Alto Nível da ONU.
Crime organizado entra na pauta internacional
Outro tema que deverá ganhar espaço na fala de Lula é o combate ao crime organizado.
A segurança pública se tornou um dos assuntos mais sensíveis do debate político brasileiro e também passou a fazer parte das discussões entre Brasília e Washington.
Segundo a Folha, Lula deverá defender a cooperação internacional no combate ao crime organizado e criticar medidas adotadas nessa área nas Américas, sem mencionar nominalmente o governo americano.
A questão também aparece em meio às críticas feitas pelo governo Trump ao desempenho brasileiro no enfrentamento de organizações criminosas.
Agenda curta em Nova York
A passagem de Lula pelos Estados Unidos será curta.
Nesta segunda-feira, além do encontro com Mamdani, estão previstos outros compromissos diplomáticos. O presidente também deverá se reunir com o senador americano Bernie Sanders e com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi.
Na terça-feira, antes do discurso, Lula terá encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Depois da participação na Assembleia Geral, a previsão é que o presidente retorne ao Brasil.
A curta permanência em Nova York ocorre enquanto Lula participa da campanha eleitoral brasileira. A Folha informou que a agenda reduzida também é justificada pelo calendário eleitoral.
O que estará em jogo no discurso
A Assembleia Geral da ONU reúne líderes de 193 países em um dos principais encontros diplomáticos do mundo. A própria organização destaca que a edição deste ano ocorre em meio a conflitos, tensões geopolíticas e pressão sobre o sistema multilateral.
Para o Brasil, o discurso de Lula terá pelo menos quatro pontos sob atenção: a relação com os Estados Unidos, a defesa da soberania, o combate ao crime organizado e as referências ao cenário político internacional.
Também haverá atenção sobre eventual menção às eleições brasileiras.
Por enquanto, são expectativas baseadas na agenda e nas informações divulgadas pelo governo e pela imprensa. A posição definitiva de Lula será conhecida somente quando o presidente ocupar a tribuna da ONU nesta terça-feira.
E haverá um detalhe impossível de ignorar: Lula falará primeiro. Trump falará logo depois.





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