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Psicanalista questiona como as pessoas cuidam da própria mente; dados da Previdência mostram que mulheres concentraram mais de 63% dos benefícios por transtornos mentais em 2025.

Você cuida de todo mundo. Resolve problemas, trabalha, atende às necessidades da família e tenta manter a rotina em ordem. Mas, em meio a tantas responsabilidades, quando foi a última vez que você parou para perguntar a si mesma: como eu estou, de verdade?

Essa é a reflexão proposta pela psicanalista Paula Salazar, do perfil @oi_paulasalazar, em vídeo publicado pelo Bora Notícia. A fala chama atenção para a importância de olhar para as próprias emoções, reconhecer os limites pessoais e compreender que cuidar da saúde mental também faz parte do cuidado com a vida.

“Como você tá cuidando da tua mente?”, questiona Paula no vídeo.

A pergunta é simples, mas pode provocar uma reflexão necessária. Muitas pessoas seguem cumprindo suas obrigações mesmo quando estão emocionalmente sobrecarregadas. Continuam trabalhando, cuidando da casa, dos filhos, dos pais e de outras pessoas, enquanto deixam as próprias necessidades para depois.

O problema é que o sofrimento emocional nem sempre é percebido imediatamente. Às vezes, ele aparece aos poucos, na irritação constante, no cansaço que não passa, na dificuldade para dormir ou na sensação de que é preciso dar conta de tudo, o tempo inteiro.

Saúde mental também é uma questão de saúde pública

Os números mostram a dimensão do problema no Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15,66% em relação a 2024, quando foram registrados 472.328 benefícios.


Do total concedido em 2025, 346.613 benefícios foram destinados a mulheres, o equivalente a 63,46%. Entre os quadros que mais geraram concessões estavam os transtornos ansiosos e os episódios depressivos.

Os dados são do Ministério da Previdência Social e se referem a benefícios concedidos, não necessariamente ao número de pessoas diferentes afetadas. Ainda assim, ajudam a dimensionar o impacto dos transtornos mentais na vida cotidiana e na capacidade de trabalhar.

Fonte: Ministério da Previdência Social.

O cenário reforça a importância de falar sobre saúde mental sem preconceito e sem tratar o sofrimento como sinal de fraqueza. Procurar ajuda não significa incapacidade de enfrentar a vida. Pode ser justamente um passo para recuperar o equilíbrio e encontrar formas mais saudáveis de lidar com as dificuldades.

Quando é hora de olhar para si?

Nem todo dia difícil representa um transtorno mental. Tristeza, preocupação e estresse fazem parte da experiência humana. Porém, quando o sofrimento persiste, se intensifica ou começa a prejudicar o sono, os relacionamentos, o trabalho e as atividades cotidianas, vale buscar orientação profissional.

Alguns sinais merecem atenção:

Cansaço emocional frequente ou sensação constante de sobrecarga;

Alterações persistentes no sono;

Irritabilidade ou dificuldade para lidar com situações comuns;

Perda de interesse em atividades antes prazerosas;

Tristeza, ansiedade ou preocupação que interferem na rotina;

Dificuldade para manter relacionamentos e cumprir tarefas habituais.

Esses sinais, isoladamente, não confirmam um diagnóstico. A avaliação de um profissional de saúde é importante para compreender o que está acontecendo e identificar o cuidado mais adequado.

Terapia não é apenas para momentos de crise

A psicoterapia pode oferecer um espaço de escuta e reflexão para compreender emoções, reconhecer padrões de comportamento e desenvolver recursos para lidar com conflitos e dificuldades.

Buscar acompanhamento não precisa ser o último recurso, quando a situação já parece insustentável. O cuidado também pode começar quando a pessoa percebe que precisa entender melhor o que sente, reorganizar prioridades ou aprender a estabelecer limites.

Isso não significa que toda a responsabilidade pelo bem-estar esteja nas mãos de cada indivíduo. Condições de trabalho, dificuldades financeiras, conflitos familiares, violência, discriminação e falta de apoio também podem afetar a saúde mental. Por isso, além do autocuidado, é importante contar com redes de apoio e acesso a serviços de saúde.

Onde buscar ajuda pelo SUS

Quem precisa de atendimento pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber orientação e conhecer os serviços disponíveis na rede pública do município. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem atendimento especializado em saúde mental conforme os critérios e a organização da rede local.

Em situações de emergência, com risco imediato à vida, deve-se procurar um serviço de urgência ou acionar o SAMU pelo número 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188, oferece apoio emocional gratuito, 24 horas por dia.

Pedir ajuda é importante, especialmente quando o sofrimento começa a comprometer a rotina ou quando a pessoa sente que não consegue lidar sozinha com o que está vivendo.

Cuidar de si também importa

A reflexão proposta por Paula Salazar convida a interromper, ainda que por alguns minutos, o ritmo automático da rotina e prestar atenção ao que acontece internamente.

Cuidar da saúde mental não significa abandonar responsabilidades nem deixar de ajudar quem precisa. Significa reconhecer que as próprias necessidades também merecem atenção e que ninguém precisa esperar chegar ao limite para procurar apoio.

No fim, a pergunta permanece: quem cuida de você enquanto você cuida de todos?

Assista ao vídeo de Paula Salazar publicado pelo Bora Notícia: ver publicação no Instagram.

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