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ANÁLISE SEM FILTRO, POR JOÁLISSON FARIAS

Não sou o dono da verdade, mas a pesquisa divulgada nesta sexta-feira (6/2), pelo Datafolha, acendeu um alerta vermelho no campo da direita em Pernambuco. Gilson Machado e Anderson Ferreira aparecem travados, sem crescimento relevante, enquanto a esquerda ocupa os dois primeiros lugares e mantém vantagem confortável.

O problema não é só o número da pesquisa. O problema é o que vem por trás dele.

Hoje, tanto Gilson Machado quanto Anderson Ferreira se quiserem ser deputados federais eleitos têm estrutura e uma eleição praticamente garantida para a Câmara. A pergunta que ninguém quer responder em voz alta é simples e incômoda: quem largaria uma eleição segura para deputado federal para se sacrificar numa disputa duríssima ao Senado?

Ainda mais num estado como Pernambuco, onde o histórico recente mostra que, para vencer a esquerda ao Senado, o candidato precisa bater algo em torno de 1.800.000 votos. Curiosamente 1.798.832 foi exatamente essa a votação que Jair Bolsonaro teve no estado em sua última eleição. Menos que isso não garante vitória ao senado e, na prática, empurra o candidato para um terceiro lugar irrelevante.

Cenário rápido das últimas duas eleições para Senado em Pernambuco:

Eleições para senado 2022

• 1º Teresa Leitão (PT) 46,12%: 2.061.276 votos. Eleita.
• 2º Gilson Machado (PL) 29,55%: 1.320.555 votos. Não eleito.

Eleições para senado 2018

• 1º Humberto Costa (PT) 25,76%: 1.713.565 votos. Eleito
• 2ª Jarbas (MDB) 21,51%: 1.430.802 votos. Eleito
• 3º Mendonça Filho (DEM) 19,58%: 1.302.446 votos. Não eleito.

Neste ano Humberto vai atrás da reeleição, com Teresa Leitão, Marília Arraes e Lula no palanque.

E aí entra o nó político.

Gilson e Anderson não estão mal posicionados por falta de nomes fortes na direita. Estão travados porque o custo dessa decisão é altíssimo. Perder o mandato federal por uma aventura ao Senado pode significar desaparecer do jogo político por anos. Poucos estão dispostos a pagar esse preço.

Enquanto isso, a esquerda joga com mais conforto. Tem nomes consolidados, base eleitoral fiel e um cenário nacional favorável.

E como se isso não bastasse, o tabuleiro ainda pode virar completamente antes mesmo da campanha começar.

A governadora Raquel Lyra vive sob pressão constante do cenário nacional. Com Lula no comando do país e o STF cada vez mais protagonista, o risco político não é teórico. Ou ela se alinha às pautas do Planalto, ou passa a caminhar numa zona cinzenta onde qualquer movimento pode virar problema jurídico. Dentro da chamada "democracia relativa", interpretações elásticas da lei não são exatamente novidade.

Isso significa que uma decisão judicial, uma investigação ou uma ação inesperada pode tirar Raquel do jogo ou enfraquecê-la politicamente antes mesmo da largada oficial da eleição. Se isso acontecer, todo o xadrez político de Pernambuco muda de uma vez só.

Resumo do cenário:

A direita corre o risco real de chegar à eleição sem um candidato competitivo ao Senado. Os nomes existentes hesitam porque têm mais a perder do que a ganhar. E o ambiente institucional pode bagunçar tudo antes do primeiro santinho ir para a rua.

Não é exagero dizer que o tempo está correndo contra a direita. Ou surge uma estratégia clara, um nome disposto ao sacrifício político, ou o risco de ficar fora do jogo é real.

O alerta está dado. Agora é decidir se alguém vai ter coragem de apertar o botão.

Confira a simulação dos 4 cenários da pesquisa datafolha divulgada nesta sexta-feira (6/2):

Cenário 1

Marília Arraes – 36%
Humberto Costa- 24%
Miguel Coelho – 18%
Eduardo da Fonte – 18%
Armando Monteiro – 12%
Gilson Machado – 11%
Anderson Ferreira – 11%

Silvio Costa Filho – 10%
Jô Cavalcanti – 3%
Fernando Dueire – 2%

Cenário 2

Sem os nomes de Gilson Machado e Silvio Costa Filho, Marília mantém a liderança, com 40%. Há um empate entre Silvio Costa Filho (25%), Miguel Coelho (22%) e Eduardo da Fonte (20%). Armando Monteiro aparece com 14%; e Anderson Ferreira, 13%). Jô Cavalcanti tem 4% e Fernando Dueire, 3%. Brancos ou nulos somam 19%, e 6% estão indecisos.

Para a segunda vaga, 26% indicam voto em branco ou nulo, e 9% estão indecisos.

Marília Arraes – 40%
Humberto Costa- 25%
Miguel Coelho – 22%
Eduardo da Fonte – 20%
Armando Monteiro – 14%
Anderson Ferreira – 13%
Jô Cavalcanti – 4%
Fernando Dueire – 3%

Cenário 3

O terceiro cenário, includindo Gilson Machado e Silvio Costa Filho, exclui os nomes de Miguel Coelho e Anderson Ferreira.

Marília Arraes – 41%
Humberto Costa- 26%
Eduardo da Fonte – 22%
Armando Monteiro – 16%
Gilson Machado – 13%
Silvio Costa Filho – 13%
Jô Cavalcanti – 4%
Fernando Dueire – 3%

Nessa avaliação, 19% dos entrevistados dizem que irão votar em branco ou nulo para a primeira vaga, e 6% ainda não se decidiram. Para a segunda vaga, a intenção de voto branco ou nulo é de 27%. Outros 9% estão indecisos.

Cenário 4

No último cenário, sem os nomes de Armando Monteiro, Gilson Machado e Fernando Dueire. O resultado é o seguinte:

Marília Arraes – 39%
Humberto Costa- 26%
Miguel Coelho – 22%
Eduardo da Fonte – 21%
Anderson Ferreira – 16%
Silvio Costa Filho – 12%
Jô Cavalcanti – 4%

Nesse cenário, 20% votariam branco ou nulo para a primeira vaga, e 6% estão indecisos. Em relação à segunda vaga, 27% votariam branco ou nulo, e 8% não souberam responder.

A pesquisa foi registrada no TSE sob o código PE-09595/2026 e BR-06559/2026. 

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