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Governo decide até junho se retoma usina nuclear iniciada há 40 anos, custo para abandonar é semelhante ao de concluir; decisão envolve energia, responsabilidade fiscal e estratégia nacional

O governo federal deve decidir até meados deste ano se retoma ou encerra definitivamente a construção da usina nuclear Angra 3, localizada em Angra dos Reis

A informação foi confirmada pela ministra da Gestão, Esther Dweck, em entrevista à Reuters. Segundo ela, o debate ainda está em aberto dentro do governo, e a decisão final caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A usina começou a ser construída nos anos 1980 e enfrentou paralisações ao longo das décadas por falta de recursos e investigações de corrupção. Uma tentativa de retomada em 2022 não avançou.

Agora, o país volta a discutir se deve concluir o projeto ou encerrar definitivamente a obra.

O custo pesa, para os dois lados

Estimativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que seriam necessários cerca de R$ 24 bilhões para concluir Angra 3.

Já o abandono do projeto poderia custar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, considerando rescisões contratuais, desmontagem do canteiro, devolução de incentivos fiscais e penalidades financeiras.

Na prática, o impacto financeiro é semelhante — com a diferença de que, no caso da desistência, o país arcaria com a conta sem incorporar a nova geração de energia ao sistema.

Energia estratégica ou energia cara?

O debate interno no governo envolve duas leituras principais.

De um lado, há preocupação com o custo da energia produzida por Angra 3, considerada mais elevada quando comparada a fontes renováveis como solar e eólica.

De outro, há o argumento de que a energia nuclear é uma fonte estável, contínua e de baixa emissão de carbono — funcionando 24 horas por dia, independentemente de condições climáticas. Em um cenário de crises hídricas e instabilidade internacional no setor energético, a previsibilidade é vista por especialistas como um fator estratégico.

☢️ Soberania e ciclo nuclear

Outro ponto considerado relevante é o domínio brasileiro do ciclo do combustível nuclear, operado por meio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

Atualmente, apenas China, Estados Unidos, Rússia e Brasil dominam todas as etapas desse processo. O diferencial brasileiro é que o uso ocorre exclusivamente para fins pacíficos.

Para técnicos do setor, a conclusão de Angra 3 ajudaria a preservar a cadeia produtiva nuclear, a formação de especialistas e a capacidade estratégica acumulada ao longo de décadas.

Governança e investidores

A usina pertence à estatal Eletronuclear, que passou recentemente a contar com participação privada após reestruturação societária. Antes da decisão final, o governo pretende dialogar com os acionistas para avaliar impactos financeiros e institucionais.

O que está em jogo

A decisão sobre Angra 3 envolve diferentes dimensões:

Segurança energética; Planejamento de longo prazo; Responsabilidade fiscal; Política industrial; Estratégia tecnológica nacional.

Concluir a obra pode reforçar a previsibilidade do sistema elétrico e manter ativa a cadeia nuclear brasileira. Abandonar pode reduzir a exposição a novos investimentos e encerrar um projeto que se arrasta há mais de quatro décadas.

A encruzilhada

Mais do que uma escolha técnica, o futuro de Angra 3 representa uma decisão de Estado: priorizar o equilíbrio fiscal imediato ou apostar em planejamento energético e tecnológico de longo prazo. A definição deve ocorrer até junho. E, mais uma vez, o debate sobre eficiência, soberania e estratégia nacional entra no centro das decisões do país.

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