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| “Câmara por dentro, povo por fora”- Ilustração / IA / Bora PE |
Placar de 25 a 9 expõe força da base governista, enquanto população cobra transparência dentro e fora da Câmara do Recife
A Câmara Municipal do Recife rejeitou, nesta terça-feira (3), o pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A votação terminou com 25 votos contrários, 9 favoráveis e 1 abstenção, arquivando o processo ainda na fase inicial.
O resultado confirmou a força da base governista no plenário. Já nas galerias e do lado de fora da Câmara, o cenário foi outro: mobilização popular intensa, críticas à condução da sessão, denúncias de falta de acesso, confusão na entrada e questionamentos sobre transparência e participação cidadã.
O que motivou o pedido
O pedido de impeachment foi apresentado pelo vereador Eduardo Moura (Novo) e apontava possível irregularidade administrativa relacionada à nomeação de um candidato aprovado em concurso público para uma vaga destinada a Pessoa com Deficiência (PCD), em desacordo com as regras do edital.
Para a oposição, o caso deveria ao menos ser investigado, garantindo esclarecimento, legalidade e transparência.
Votação e fala da oposição
Durante a sessão, o vereador Thiago Medina (PL) resumiu o posicionamento da oposição ao defender a abertura do processo:
“Não se trata de condenar ninguém, mas de investigar. A população merece respostas.”
Mesmo com o apelo, a maioria dos vereadores optou pelo arquivamento imediato do pedido.
Mobilização desde cedo e confusão na entrada
Desde as 5h da manhã, cidadãos começaram a se concentrar em frente à Câmara para acompanhar a votação. Segundo relatos de quem esteve no local, muitas pessoas que chegaram cedo foram impedidas de entrar, incluindo idosos, pessoas com deficiência e cidadãos interessados diretamente no tema.
Houve confusão logo na abertura dos portões, atribuída por testemunhas a desentendimentos entre grupos favoráveis à gestão e pessoas ligadas à oposição. Relatos apontam empurrões, tumulto e situações de tensão. Algumas pessoas afirmaram ter sido agredidas durante o episódio.
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| Foto: Viviane Araújo/Bora PE |
A dinâmica observada ao longo da manhã chamou a atenção. Dentro das galerias, a maior parte das pessoas autorizadas a entrar era ligada à base governista, incluindo pessoas identificadas como apoiadores da gestão municipal, segundo relatos de quem acompanhava a sessão.
Já do lado de fora da Câmara, permaneceu a maior concentração de cidadãos comuns, pessoas que chegaram cedo com o objetivo de acompanhar a votação, participar do debate público e cobrar transparência. Foi ali que se formou a multidão mais diversa, composta por trabalhadores, idosos, pessoas com deficiência e eleitores interessados no debate.
Para muitos presentes, o contraste foi simbólico: a galeria ocupada majoritariamente pela situação, enquanto o povo que buscava participar ficou do lado de fora.
🔎 “Passar à frente”: crítica simbólica ganha força
O tema central do pedido de impeachment ganhou força simbólica ao longo do dia. A acusação discutida tratava justamente da suposta prática de “passar à frente” em um concurso público destinado a PCDs.
Na avaliação de cidadãos que acompanharam a sessão, o que ocorreu na entrada da Câmara reproduziu essa lógica: pessoas que chegaram primeiro ficaram para trás, enquanto grupos organizados conseguiram acesso.
Gilson Machado critica episódios e aponta “exemplo que vem de cima”
O ex-ministro do Turismo Gilson Machado comentou os episódios registrados durante a manhã e fez críticas ao que classificou como reflexo da postura do gestor sobre seus apoiadores.
Em tom popular e direto, afirmou:
“Filho de peixe, peixinho é. Filho de médico vira médico. O exemplo vem de cima. Quando o gestor passa à frente, quem defende acha que pode fazer o mesmo. O comportamento da militância reflete o comportamento de quem governa.”
Segundo Gilson Machado, os episódios não podem ser tratados como fatos isolados, mas como consequência de um ambiente político que normaliza privilégios e dificulta o acesso da população.
♿ Falta de acessibilidade e críticas à organização
Outro ponto sensível levantado foi a falta de acessibilidade. O acesso às galerias ocorre por degraus estreitos, sem rampa adequada, o que impediu a entrada de cadeirantes.
Além disso, parte das cadeiras nas galerias estava reservada para a imprensa, mesmo sem ocupação contínua, enquanto cidadãos eram impedidos de sentar. Para muitos, a situação evidenciou uma contradição: a Casa do Povo sem acesso pleno ao povo.
Decisão política x vontade popular
Com o placar de 25 votos contra 9, o processo de impeachment foi encerrado, e João Campos segue no cargo sem abertura de investigação política.
Ainda assim, a mobilização popular, os relatos de confusão, as dificuldades de acesso e as críticas de lideranças políticas deixaram uma pergunta no ar:
A decisão tomada no plenário refletiu a vontade de quem tentou acompanhar a votação?
A diferença expressiva entre os votos e a presença popular reacende o debate sobre a necessidade de renovação na Câmara Municipal. A renovação é um instrumento democrático que amplia o diálogo, fortalece a fiscalização e aproxima o poder público da população.
📍 Democracia não se resume ao painel de votos, mas exige acesso, transparência, inclusão e respeito à participação popular.
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