Operação da PF investiga possível desvio milionário em programa federal de medicamentos
O Programa Farmácia Popular do Brasil voltou ao centro das discussões nacionais após a deflagração de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo farmácias credenciadas. O prejuízo estimado pode chegar a aproximadamente R$ 30 milhões.
A apuração ocorre em um momento de ampliação do programa pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem destacado a iniciativa como uma das principais políticas públicas de acesso gratuito a medicamentos.
Como funcionaria o esquema
De acordo com as investigações preliminares, estabelecimentos credenciados teriam registrado no sistema oficial vendas de medicamentos que não teriam sido efetivamente entregues aos pacientes.
O procedimento investigado seguiria a seguinte dinâmica:
Inserção de CPFs de cidadãos como se houvesse retirada de medicamentos;
Registro da dispensação no sistema do programa;
Reembolso automático da União à farmácia conveniada;
Ausência da entrega real do medicamento ao beneficiário.
As autoridades apuram possível utilização de CNPJs ativos e interpostas pessoas para operacionalizar as irregularidades.
Até o momento, não há acusação formal contra integrantes do governo federal. A investigação concentra-se em operadores privados.
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2004 – Criação do programa
O Farmácia Popular é instituído para ampliar o acesso a medicamentos essenciais, complementando o atendimento do SUS por meio de convênios com farmácias privadas.
2023–2025 – Ampliação do alcance
Nos últimos anos, o programa passou por expansão, com:
Ampliação da lista de medicamentos gratuitos;
Aumento do número de municípios atendidos;
Intensificação de campanhas institucionais divulgando a gratuidade.
Final de 2025 – Denúncia inicial
Uma usuária identificou que seu CPF havia sido utilizado para registrar a retirada de medicamentos sem seu conhecimento, o que levou à abertura de apuração preliminar.
Início de 2026 – Investigação formal
A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e a Controladoria-Geral da União, iniciou análise técnica de registros considerados atípicos.
Fevereiro de 2026 – Operação deflagrada
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diferentes estados, além de bloqueio de bens e valores vinculados aos investigados. O montante sob apuração gira em torno de R$ 30 milhões.
Impacto e próximos passos
Especialistas em gestão pública avaliam que programas de grande escala baseados em reembolso automatizado exigem sistemas rigorosos de auditoria e cruzamento de dados para evitar vulnerabilidades.
Com a operação em andamento, o Ministério da Saúde poderá revisar protocolos de controle, reforçar auditorias digitais e atualizar critérios de credenciamento de farmácias.
Se confirmadas as irregularidades, os envolvidos poderão responder por crimes como estelionato contra a União, falsidade ideológica e associação criminosa.
A investigação segue em curso e novas fases não estão descartadas.
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