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Crise atinge produção, turismo e escancara falhas históricas na infraestrutura do Agreste

A escassez de água voltou a atingir Taquaritinga do Norte, no Agreste de Pernambuco, e já provoca impactos diretos no abastecimento da população e na economia local.

Conhecida como “Capital Pernambucana do Café”, a cidade concentra parte relevante da produção estadual e tem na chamada “Rota do Café” um dos principais atrativos turísticos da região. Nos últimos meses, porém, a falta d’água tem colocado em xeque tanto a produção agrícola quanto o desenvolvimento do turismo rural.

O sistema de abastecimento, operado pela Compesa, enfrenta limitações históricas. Em períodos mais críticos, moradores convivem com rodízios prolongados e longos intervalos sem água nas torneiras, reflexo da baixa capacidade dos reservatórios e da dependência de mananciais vulneráveis.

A situação se agrava em períodos de estiagem, mas nem mesmo as chuvas recentes têm sido suficientes para estabilizar o fornecimento. Em alguns casos, a população recorre a carros-pipa para garantir o abastecimento mínimo.

Impacto direto na produção de café

A crise hídrica não atinge apenas as residências. No campo, produtores relatam dificuldades para manter a irrigação dos cafezais, o que compromete diretamente a produção de café arábica — principal atividade econômica do município.

Sem água suficiente, a produtividade cai e os custos aumentam, pressionando um setor que vinha ganhando força com a valorização dos cafés especiais e o crescimento do turismo rural.

Turismo ameaçado

O impacto também chega ao turismo. A “Rota do Café”, que vinha sendo consolidada como alternativa de desenvolvimento sustentável no interior pernambucano, depende diretamente da estrutura das propriedades rurais para funcionar.

Visitas guiadas, experiências sensoriais, hospedagens e atividades ligadas ao ecoturismo passam a ser comprometidas diante da irregularidade no abastecimento.

Sem água, empreendimentos turísticos reduzem suas atividades ou operam com limitações, o que afeta diretamente a geração de renda na região.

Presença política e reconhecimento do problema

Durante agendas recentes no Agreste, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado participou de eventos voltados ao fortalecimento do turismo regional, incluindo iniciativas ligadas à valorização da Rota do Café.

Na ocasião, ele destacou o potencial turístico de Taquaritinga do Norte e de outras cidades do interior, mas reconheceu que a infraestrutura ainda é um dos principais gargalos para o crescimento sustentável,  com destaque para o abastecimento de água.

Entre as medidas apontadas para enfrentar a crise estão obras estruturantes, como a ampliação da Adutora do Agreste e a implantação de novas estações de tratamento.

A expectativa é aumentar a oferta hídrica e reduzir os rodízios severos que atingem a população. No entanto, moradores e produtores afirmam que, até o momento, os efeitos práticos dessas ações ainda não foram sentidos no dia a dia.

O cenário segue marcado pela incerteza.

Ilustração /IA /Bora PE

Um problema estrutural

Especialistas apontam que a situação de Taquaritinga do Norte reflete um desafio maior enfrentado por cidades do interior de Pernambuco: o avanço de projetos econômicos sem a devida evolução da infraestrutura básica.

Enquanto iniciativas como a Rota do Café ganham visibilidade e atraem investimentos, o abastecimento de água, essencial para qualquer atividade,  continua instável.

O que está em jogo

A crise hídrica acende um alerta para o futuro da região.

Sem solução estruturante, a produção de café pode sofrer retração, o turismo rural tende a perder força e a economia local corre o risco de desacelerar.

Mais do que um problema pontual, a falta d’água expõe um entrave histórico ao desenvolvimento do interior pernambucano.

Sem água, não há produção.
Sem água, não há turismo.
Sem água, não há crescimento.

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