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| Deputada Erika Hilton/Foto: Lula Marques/Agência Brasil |
OPINIÃO | O espaço das mulheres na política não pode continuar vazio
Por que, em pleno 2026, ainda precisamos discutir o óbvio?
A eleição da deputada Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher não deveria ser apenas mais um episódio político. Ela escancara algo muito mais profundo: o vazio deixado pela baixa presença feminina nos espaços de poder.
E essa é a discussão que realmente importa.
O problema não é quem ocupa, é quem não ocupa
Há quem tente transformar o debate em uma disputa de nomes. Mas isso é superficial.
A pergunta central é outra:
por que ainda são tão poucas as mulheres ocupando esses espaços?
Quando mulheres não chegam, não disputam ou não são incentivadas a participar, a política segue sendo ocupada por quem está disponível, e não necessariamente por quem deveria representar a maioria da população.
Pernambuco mostra que o problema é real
O cenário em Pernambuco não foge à regra.
No Recife, por exemplo, entre dezenas de cadeiras na Câmara Municipal, apenas uma parcela reduzida é ocupada por mulheres. O mesmo se repete na Assembleia Legislativa e na bancada federal.
Não faltam nomes.
Falta espaço, incentivo e estrutura.
E, principalmente, falta presença.
Um sistema que ainda dificulta
Não é coincidência.
Mulheres enfrentam: menos investimento em campanhas; menos apoio dentro dos partidos; mais barreiras sociais e culturais
O resultado é um ciclo previsível:
menos candidaturas → menos eleitas → menos representatividade.
O preço da ausência
A política não aceita vazio.
Quando um espaço não é ocupado, ele será preenchido, por alguém, por algum grupo, por alguma pauta.
E aí nasce o desconforto, o debate, a polarização.
Mas, no fundo, tudo isso poderia ser diferente se houvesse mais mulheres presentes, participando ativamente e ocupando esses lugares.
Chega de assistir, é hora de ocupar
Não basta cobrar.
Não basta criticar.
É preciso participar.
A política brasileira precisa de mais mulheres: disputando eleições; ocupando cargos; influenciando decisões.
Sem isso, a representatividade continuará incompleta.
A pergunta que fica
Até quando os espaços continuarão sendo ocupados por poucos?
E mais importante:
quando as mulheres vão decidir ocupar, de fato, o lugar que também é delas?
O debate atual não deveria ser sobre quem está lá.
Deveria ser sobre quem ainda não chegou.
Porque, no fim das contas, representatividade não se reclama,
se constrói com presença.
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