Produção contínua, geração de empregos e potencial turístico impulsionam atividade; produtores cobram redução de entraves e maior inserção no mercado local
Pernambuco começa a consolidar um novo eixo de desenvolvimento que vai além da fruticultura tradicional. Entre o Sertão e o Agreste, a vitivinicultura avança combinando produção contínua, geração de empregos e potencial turístico, um movimento que reposiciona o estado no mapa nacional do setor.
O reconhecimento veio em 2022, quando o Vale do São Francisco conquistou a Indicação de Procedência, certificando a singularidade dos vinhos produzidos na região. Uvas como Syrah e Moscatel passaram a carregar características próprias do território, reforçando a identidade local e abrindo espaço para um mercado de maior valor agregado.
Produção e novas fronteiras
Hoje, o Sertão pernambucano responde por mais de 95% das uvas de mesa exportadas pelo Brasil e movimenta milhares de empregos diretos. Ao mesmo tempo, o Agreste surge como nova fronteira produtiva.
Em cidades como Garanhuns, a cerca de 900 metros de altitude, o clima mais ameno favorece a produção de vinhos finos e amplia as possibilidades de expansão do setor.
Entraves ao crescimento
Durante o Festival Viva Garanhuns, representantes da cadeia produtiva chamaram atenção para um ponto central: o crescimento existe, mas ainda enfrenta barreiras estruturais.
A alta carga tributária e o enquadramento do vinho como bebida alcoólica, e não como alimento, encarecem o produto e reduzem sua competitividade.
Outro desafio é a baixa presença dos rótulos pernambucanos no próprio mercado local. Produtores relatam que, em muitos casos, o vinho importado chega a ser mais viável comercialmente do que o produzido no estado, o que evidencia um descompasso entre produção e consumo interno.
Aproximação com o setor produtivo
Nesse contexto, ganha relevância a aproximação entre poder público e quem atua diretamente na economia local. Em agendas pelo interior, o ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, tem participado de encontros com produtores e empresários para ouvir demandas do agro e do turismo.
Em reunião com o empresário Michel Moreira Leite, da vinícola Vale das Colinas, foram discutidos entraves práticos enfrentados pelo setor, como custos de produção e acesso ao mercado.
Perspectivas
A movimentação reforça um ponto estratégico: Pernambuco já demonstrou capacidade de produzir com qualidade e identidade própria. O próximo passo passa por criar condições para que esse potencial se transforme em escala, competitividade e maior presença no mercado.
Mais do que uma pauta econômica, o avanço da vitivinicultura revela uma vocação que conecta território, cultura e desenvolvimento.
No interior, onde o crescimento acontece de forma gradual, produtores apontam que ouvir quem está na ponta, investir com direcionamento e reduzir barreiras são medidas fundamentais para consolidar o setor e ampliar seu impacto na economia do estado.
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