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 Frente Popular acusa Raquel Lyra de participação em suposto gabinete do ódio

Servidor citado no caso foi exonerado do Governo de Pernambuco; registros oficiais confirmam cessão pela Caixa e ressarcimento, enquanto existência de investigação da PF ainda não foi confirmada

A disputa pelo Governo de Pernambuco ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (27). A Frente Popular, coligação que apoia João Campos (PSB), anunciou que pretende apresentar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD).

A iniciativa ocorre após reportagens sobre uma suposta rede de perfis e páginas nas redes sociais que teria sido utilizada para promover ataques contra adversários políticos. O caso passou a ser chamado de “Gabinete do Ódio”, expressão utilizada nas reportagens e pela oposição.

A existência de uma estrutura organizada, seu eventual financiamento e uma possível ligação com integrantes do Governo de Pernambuco, entretanto, ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.

Frente Popular anuncia ação no TRE-PE

Durante coletiva realizada nesta quinta-feira (27), a equipe jurídica da Frente Popular informou que pretende levar o caso ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) por meio de uma AIJE.

Segundo a coligação, a ação deverá reunir cinco eixos de acusações, envolvendo, em tese, possíveis abusos de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação e condutas vedadas pela legislação eleitoral.

A Frente Popular também anunciou que pretende encaminhar os elementos do caso à Controladoria-Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU), Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Ministério Público Eleitoral e Caixa Econômica Federal.

Até o momento da coletiva, a AIJE ainda não havia sido protocolada.

Servidor citado no caso foi exonerado

Entre os nomes mencionados nas reportagens está o de Amisadai Andrade da Silva, empregado da Caixa Econômica Federal que estava cedido ao Governo de Pernambuco.

Amisadai ocupava o cargo de Superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, vinculado à Secretaria de Turismo e Lazer.

A exoneração foi publicada em 26 de agosto, um dia após a divulgação de reportagens relacionadas à suposta rede de ataques digitais.

A saída do cargo, por si só, não comprova irregularidade nem significa reconhecimento de participação em eventual esquema.

TCE-PE registra ressarcimento à Caixa

Dados oficiais disponíveis no sistema Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, confirmam que Amisadai estava cedido pela Caixa ao Governo de Pernambuco.

O sistema registra, em fevereiro de 2026, um empenho de R$ 12.193,52 referente ao ressarcimento do servidor à Caixa Econômica Federal. O lançamento identifica nominalmente Amisadai Andrade da Silva e indica a Secretaria de Turismo e Lazer como unidade responsável.

O registro comprova a existência do ressarcimento relacionado à cessão do servidor, mas não estabelece qualquer relação entre o pagamento e a suposta rede de ataques políticos.

Registros de acesso ao Palácio

Reportagem do Metrópoles também apontou registros de entrada de Amisadai no Palácio do Campo das Princesas.

Segundo o veículo, o servidor teria acessado a sede do Governo de Pernambuco em diferentes ocasiões, incluindo registros relacionados à Casa Civil.

Os registros demonstram a entrada no prédio público, mas não permitem concluir, isoladamente, qual foi o teor das reuniões ou se houve participação de integrantes do governo em qualquer estrutura de ataques políticos.

Portal de Prefeitura aparece nas reportagens

Outro ponto citado nas reportagens envolve o Portal de Prefeitura.

Segundo levantamento divulgado pelo Metrópoles, o veículo teria recebido aproximadamente R$ 642,5 mil em contratos de publicidade do Governo de Pernambuco durante a gestão Raquel Lyra.

A existência dos contratos, entretanto, não comprova, por si só, qualquer irregularidade ou utilização dos recursos para financiar ataques políticos.

A eventual relação entre os contratos, pessoas citadas nas reportagens e a suposta estrutura digital deverá ser esclarecida por investigação.

Cinco eixos apresentados pela oposição

De acordo com a Frente Popular, a AIJE deverá reunir cinco grupos de acusações.

Além do chamado “Gabinete do Ódio”, a coligação pretende questionar episódios envolvendo: suposto uso de ônibus públicos para transporte de apoiadores em evento político; alegações de monitoramento de integrantes da Prefeitura do Recife; questionamentos sobre o uso de aeronave oficial; publicidade institucional; e a suposta existência de uma rede coordenada de perfis e páginas utilizada para ataques políticos.

A oposição afirma que os fatos poderiam, em tese, configurar abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação e condutas vedadas pela legislação eleitoral.

Polícia Federal ainda não confirmou investigação

Um dos pontos que permanecem sem confirmação oficial é a existência de uma investigação da Polícia Federal especificamente sobre o caso.

Reportagens divulgaram que a suposta rede estaria sendo investigada pela PF. Entretanto, segundo informações divulgadas pelo Jornal do Commercio, as superintendências da Polícia Federal em Pernambuco e em Brasília não haviam localizado registro de investigação ou inquérito especificamente relacionado ao episódio.

Dessa forma, até o momento, não é possível afirmar que exista um inquérito formal da Polícia Federal sobre o suposto “Gabinete do Ódio” em Pernambuco.

A Frente Popular informou que pretende procurar a Polícia Federal para apresentar os elementos que possui e solicitar a apuração dos fatos.

Raquel Lyra nega envolvimento

A governadora Raquel Lyra (PSD) nega qualquer relação com o chamado “Gabinete do Ódio” e contesta as acusações apresentadas pela oposição.

A defesa política da governadora afirma que não existem provas que estabeleçam vínculo entre Raquel e a suposta estrutura de ataques.

A campanha também informou que poderá adotar medidas judiciais contra acusações que considerar falsas.

João Campos reage

O candidato João Campos (PSB) também se manifestou sobre o episódio.

O prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco sustenta que já vinha denunciando a existência de uma estrutura organizada de ataques contra ele, aliados e familiares.

A Frente Popular afirma que os elementos reunidos justificam a apresentação da AIJE e a comunicação do caso a diferentes órgãos de controle e investigação.

O que está comprovado e o que ainda será investigado

Até o momento, há elementos documentais que podem ser apresentados objetivamente: Amisadai Andrade da Silva era empregado da Caixa Econômica Federal cedido ao Governo de Pernambuco, ocupava cargo na estrutura estadual, foi exonerado em 26 de agosto e teve sua cessão ressarcida pelo Governo de Pernambuco, conforme registros do TCE-PE.

Também foram divulgados por veículos de imprensa registros de acesso do servidor ao Palácio do Campo das Princesas e informações sobre contratos envolvendo o Portal de Prefeitura.

Por outro lado, a existência de uma estrutura organizada denominada “Gabinete do Ódio”, seu eventual financiamento com recursos públicos e uma possível participação direta da governadora ainda são alegações que dependem de investigação e comprovação pelas autoridades competentes.

Com o anúncio da AIJE e dos encaminhamentos a diferentes instituições, o episódio entra em uma nova etapa da disputa eleitoral em Pernambuco. A eventual responsabilização de agentes públicos ou candidatos dependerá da análise dos fatos e das provas pelas instituições competentes.


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