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| Foto: Divulgação/Havaianas. |
Críticas, boicote e reação do público colocam a marca no centro da polêmica
Uma campanha publicitária que deveria marcar o clima de fim de ano acabou virando assunto nacional e provocando uma reação em cadeia nas redes sociais, no mercado financeiro e até entre marcas concorrentes. A mais recente propaganda da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, gerou críticas, pedidos de boicote e abriu espaço para que a Ipanema, sua principal concorrente, ganhasse visibilidade, e até entrasse no centro de rumores envolvendo o cantor Zezé de Camargo.
O que virou polêmica
No comercial, Fernanda Torres usa a expressão de que não quer “começar 2026 com o pé direito”, mas “com os dois pés”. A frase, que para alguns soou apenas como criatividade publicitária, foi interpretada por muitos consumidores, especialmente conservadores, como uma mensagem política velada, em um momento de forte polarização no país.
A reação foi imediata. Nas redes sociais, influenciadores e políticos criticaram a campanha, pediram boicote à marca e acusaram a Havaianas de usar uma mensagem de fim de ano para provocar parte do seu público. Vídeos, memes e comentários se espalharam rapidamente, transformando a propaganda em um dos assuntos mais comentados do dia.
Reflexo no bolso e no mercado
A repercussão negativa não ficou só na internet. As ações da Alpargatas (ALPA4), empresa dona da Havaianas, registraram queda superior a 3% na bolsa logo após a polêmica ganhar força. O movimento chamou atenção do mercado e reforçou como a imagem de uma marca pode impactar diretamente seu valor financeiro, mesmo sendo uma gigante consolidada.
Enquanto isso, o nome “Havaianas” disparou nas buscas do Google e nas menções em redes sociais, mas nem sempre de forma positiva.
Ipanema cresce no meio da confusão
Em meio à crise da rival, a Ipanema, marca da Grendene, acabou surfando na onda. O nome da empresa começou a aparecer com mais frequência nas redes, e o perfil oficial da marca registrou um salto expressivo no número de seguidores, indicando aumento de interesse do público.
Internautas passaram a citar a Ipanema como alternativa à Havaianas, e postagens da marca, algumas interpretadas como indiretas bem-humoradas, ajudaram a manter o assunto aquecido. No mercado, as ações da Grendene (GRND3) chegaram a registrar leve alta no mesmo período, alimentando a leitura de que parte dos consumidores pode estar olhando para a concorrente.
Zezé de Camargo entra no radar
No meio desse barulho todo, surgiu um zum-zum-zum nas redes sociais: a possibilidade de a Ipanema contratar Zezé de Camargo como garoto-propaganda. O rumor ganhou força principalmente entre grupos conservadores, que veem o cantor sertanejo como alguém alinhado ao público que se sentiu incomodado com a campanha da Havaianas.
Até agora, não há confirmação oficial de negociação, mas a simples especulação mostra como marketing, política e comportamento do consumidor estão cada vez mais misturados. Para muitos internautas, seria uma jogada estratégica da Ipanema para dialogar diretamente com esse público que se sentiu deixado de lado.
Uma reflexão que fica para as marcas
Toda essa situação vai além de uma disputa entre duas marcas de sandálias. Ela escancara uma discussão maior: o quanto as empresas conhecem e respeitam o seu próprio público.
A Havaianas é uma marca tradicional, presente há décadas na vida dos brasileiros. Seu público é diverso, mas majoritariamente formado por pessoas simples, famílias, trabalhadores e consumidores conservadores, que cresceram associando expressões como “entrar com o pé direito” a fé, sorte, prosperidade e bons começos.
Quando uma mensagem de fim de ano, que normalmente deveria unir e trazer esperança, é interpretada como provocação ou viés partidário, parte desse público se sente atingida. E, no mundo conectado de hoje, essa reação aparece rápido.
O episódio deixa um recado claro para o mercado: respeitar o consumidor passa por entender seus valores, símbolos e tradições. Em tempos de polarização, talvez o maior acerto das marcas seja fazer o simples, comunicar sem dividir, celebrar sem provocar e desejar um bom ano sem criar ruídos.
Porque, para muita gente, começar o ano com o pé direito ainda é o que importa, em todos os sentidos.
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