A decisão do
presidente Lula de liberar a importação de
tilápia da
JBS vinda do Vietnã mexeu com o tabuleiro da
piscicultura no Brasil inteiro, e não só no Sul. Enquanto
Brasília abriu espaço para o peixe estrangeiro e ainda chamou a tilápia de
espécie invasora, estados produtores começaram a ligar o sinal de alerta.
Santa Catarina foi direta: proibiu a entrada, a venda e a distribuição de qualquer tilápia ou subproduto vindo do Vietnã. O argumento é simples e pesado, risco sanitário. Segundo o governo catarinense, a liberação federal saiu antes do fim da análise do vírus TILV, que já causou prejuízos em outros países.
Mas essa preocupação não fica só no Sul. Em Pernambuco, onde a criação de tilápia é forte e sustenta milhares de famílias no interior, o clima também é de atenção. A produção nos reservatórios do estado movimenta a economia local, gera emprego e garante renda para pequenos produtores.
A chegada de um peixe importado, produzido em larga escala e com custo mais baixo, pode bagunçar o mercado, derrubar preços e ainda trazer riscos sanitários difíceis de controlar. E ninguém quer repetir histórias de patógenos exóticos que já deram prejuízo no passado.
Enquanto o governo federal aposta na importação e beneficia grandes empresas, estados produtores como Santa Catarina, e agora Pernambuco observando de perto, preferem cautela. As regras catarinenses já estão valendo, e o debate segue aberto: desenvolvimento econômico a qualquer custo ou proteção da produção local?