Desde que assumiu a Presidência, Lula parece não ter desmontado o palanque. O nome de Jair Bolsonaro surge com frequência em discursos, entrevistas e declarações oficiais. A repetição chama atenção não apenas pela rivalidade política, mas pelo que ela revela sobre a estratégia adotada pelo governo.
Em vez de concentrar o discurso em soluções práticas para os desafios do país, o Planalto insiste em recorrer ao passado como explicação recorrente para os problemas do presente. A narrativa se apoia mais na comparação do que na entrega de resultados.
Enquanto isso, a realidade segue cobrando respostas. A inflação continua pressionando o consumo, a insegurança fiscal afasta investimentos e a economia mostra sinais claros de estagnação. O contraste é direto. De um lado, problemas concretos exigindo ação. Do outro, um discurso que ainda soa como campanha eleitoral em reprise.
Ao manter Bolsonaro como personagem central de suas falas, Lula reforça uma percepção incômoda: a ausência de um projeto claro para o agora e para o futuro. Governar exige mais do que comparar. Exige decidir, executar e entregar.
🔎 Verificação de fatos: quem contou as 3.589 citações?
O Bora Pernambuco, investigou a origem da informação que aponta que o presidente Lula teria citado Jair Bolsonaro 3.589 vezes desde o início do atual mandato. Após pesquisa em veículos de imprensa, bases públicas e plataformas de monitoramento de discurso político, não foi localizado até o momento nenhum relatório técnico, instituto de pesquisa, pesquisador identificado ou metodologia pública que comprove oficialmente esse número.
O dado circula principalmente em blogs e páginas de opinião política, sendo atribuído de forma genérica a um suposto levantamento chamado “InvestiBR”. No entanto, não há link para o estudo, explicação metodológica, período analisado ou identificação dos responsáveis pela apuração.
Também não existe, até agora, confirmação desse número por veículos de grande circulação ou por plataformas reconhecidas de análise de discursos públicos.
Isso não invalida o debate sobre a recorrência das menções ao ex-presidente nas falas de Lula, algo observável em discursos, entrevistas e pronunciamentos oficiais. Porém, o número exato de 3.589 citações não pode ser tratado como dado verificado, devendo ser apresentado com cautela ou como informação ainda não auditada de forma independente.
Transparência também é notícia. E jornalismo sério não tem medo de dizer quando um dado ainda precisa de prova.
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