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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

TCU analisa atuação de diretor do BC e investiga se decisões técnicas ultrapassaram os limites da legalidade e da responsabilidade institucional.

O Tribunal de Contas da União (TCU) foi oficialmente acionado para investigar a atuação de um diretor do Banco Central (BC) em operações financeiras ligadas ao Banco Master, instituição que acabou liquidada após suspeitas de fraude bilionária e operações consideradas de alto risco. 
A representação foi apresentada pelo subprocurador do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, que levanta dúvidas sérias sobre a conduta do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, no relacionamento com o Banco de Brasília (BRB) em negociações envolvendo ativos do Banco Master. 

 🔍 O que está sendo questionado 


 De acordo com documentos e mensagens que vieram à tona, o diretor do BC teria mantido conversas com dirigentes do BRB sugerindo caminhos para a compra de carteiras de crédito do Banco Master, justamente num período em que a instituição já apresentava problemas graves de solvência. 
Para o TCU, a questão central é simples e direta:  um fiscal do sistema financeiro pode orientar ou influenciar decisões envolvendo bancos com indícios de irregularidades? Segundo o subprocurador, essa atuação pode representar desvio de finalidade, já que o papel do Banco Central é fiscalizar, alertar e proteger o sistema, e não indicar soluções que envolvam ativos suspeitos. 

O Banco Central se defende 


O Banco Central afirma que não recomendou a compra de carteiras problemáticas e que, ao contrário, identificou inconsistências graves, comunicando os fatos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. O BC sustenta que a liquidação do Banco Master foi necessária para evitar danos maiores ao sistema financeiro.
Mesmo assim, o caso ganhou força porque o próprio TCU já vinha questionando a forma como o BC conduziu a liquidação extrajudicial do banco, alegando falta de explicações detalhadas sobre os critérios adotados. 

Disputa institucional e investigação ampliada 


O relator do processo no TCU chegou a autorizar uma inspeção no Banco Central, com o objetivo de entender, passo a passo, como se deu a decisão de fechar o Banco Master e qual foi o nível de envolvimento de seus dirigentes nas operações questionadas. 
A medida, no entanto, acabou gerando divergências internas dentro do próprio TCU, evidenciando o peso político e institucional do caso. 


Conectando os pontos 


O caso do Banco Master não surgiu do nada. Ele se conecta a uma sequência de fatos que agora chamam a atenção dos órgãos de controle: o banco passou a operar com ativos de difícil comprovação e créditos considerados “podres” no mercado; houve tentativas de transferir esses ativos para outras instituições, como forma de aliviar o caixa; dirigentes de bancos públicos e autoridades reguladoras aparecem em conversas e decisões que levantam dúvidas sobre os limites da atuação técnica. 
Exemplo prático: É como se um fiscal de trânsito, ao perceber que um carro está sem freio, em vez de apenas impedir que ele continue rodando, orientasse outro motorista a assumir o veículo. Mesmo que a intenção fosse evitar um acidente maior, a atitude levanta questionamentos sobre responsabilidade e função. 


Por que isso preocupa 


Para o TCU, o ponto mais sensível é a possibilidade de que decisões técnicas tenham sido contaminadas por pressões políticas ou interesses financeiros, colocando em risco: a credibilidade do Banco Central; a segurança do sistema bancário e, principalmente, o dinheiro público, já que bancos estatais podem acabar absorvendo prejuízos bilionários. 

Especialistas alertam que, se confirmadas irregularidades, o caso pode se tornar um marco negativo na história da fiscalização financeira do país, comparável a outros grandes escândalos bancários do passado. 

O que vem pela frente 


Com o TCU agora oficialmente acionado, a expectativa é que novas informações sejam reveladas, incluindo documentos, trocas de mensagens e depoimentos. Dependendo do resultado, o caso pode gerar: responsabilização de agentes públicos; mudanças nos protocolos do Banco Central; e até novos desdobramentos no Judiciário e no Congresso Nacional

Quando quem deveria fiscalizar passa a orientar, o risco deixa de ser financeiro e se torna institucional, e a conta, no fim, pode cair no colo do povo. 
 Rovena Rosa/Agência Brasil
 Rovena Rosa/Agência Brasil

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