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Da Riqueza ao Abismo

O que a Venezuela ensina quando a liberdade é abandonada

Se alguém ainda acha que a tragédia da Venezuela é só “briga política”, o relato de Armando Fuentes, venezuelano que hoje vive no Brasil, desmonta essa ideia em poucos minutos. O que aconteceu lá não foi acidente. Foi método. E o preço foi pago pelo povo.

Armando fala com dor, mas também com esperança. Para ele, a notícia da prisão de Nicolás Maduro representa o início da retirada de um câncer que corroeu o país por quase três décadas. Não é o fim do problema, mas é o primeiro passo para respirar de novo.

Quando o Estado deixa de proteger, a soberania morre

Um dos pontos mais fortes da entrevista é quando Armando desmonta o discurso bonito da “soberania nacional”. Segundo ele, soberania só existe quando o Estado protege o cidadão. Quando o poder passa a perseguir, sequestrar e matar o próprio povo, não é soberania. É tirania com crachá oficial.

Essa inversão é perigosa porque normaliza o abuso. Tudo passa a ser justificado em nome do Estado, enquanto o indivíduo vira descartável.

A Venezuela já foi exemplo. Muita gente esqueceu disso.

Antes do chavismo, a Venezuela viveu cerca de 50 anos de democracia estável. Era um país rico, organizado e respeitado. O petróleo e os minérios eram explorados com inteligência, em parceria com o mundo. O modelo funcionava: 60% para o Estado, 40% para o investidor. Resultado? O país construiu hospitais, escolas e mandava seus jovens para estudar nas melhores universidades do mundo com bolsas. O mercado aberto gerava crescimento. O comunismo, segundo Fuentes, prefere a dependência; a democracia prefere o trabalho e a ascensãoospitais, escolas, universidades e jovens estudando fora com bolsas pagas pelo próprio país.

Riqueza havia. O que mudou foi a liberdade.

O golpe não começa com tanques. Começa com promessas.

A democracia venezuelana não caiu de uma vez. Ela foi enfraquecendo quando os partidos tradicionais perderam credibilidade. Esse vácuo abriu espaço para os chamados “salvadores da pátria”.

Hugo Chávez surgiu assim. Tentou um golpe, fracassou, foi perdoado. Depois se aliou ao modelo cubano, militarizou o Estado e passou a controlar tudo. Imprensa, Judiciário, forças armadas e, por fim, a vida das pessoas.

Autoritarismo não chega anunciando. Ele chega prometendo solução fácil para problemas complexos.

Quando o povo grita e o mundo silencia

Entre 2014 e 2017, milhões de venezuelanos foram às ruas. Muitos morreram.
Quando a oposição recuou para evitar um massacre ainda maior, o regime avançou sem resistência.

Hoje, quase 8 milhões de venezuelanos vivem fora do país. Não porque quiseram, mas porque precisaram fugir para sobreviver. Essa é a conta da omissão.

Liberdade não se perde de uma vez. Ela vai sendo entregue aos poucos.

Prisão de Maduro não resolve tudo. Mas muda o jogo.

Armando é direto: prender Maduro é simbólico e necessário, mas não suficiente.
A estrutura do regime ainda existe. A cúpula ainda opera. O desafio real é restaurar a legitimidade das instituições, permitir que líderes eleitos e hoje exilados retornem e organizar eleições verdadeiramente livres.

Trocar o nome no topo não cura um país. Limpar a casa inteira, sim.

Um alerta ao Brasil, dito por quem já viveu o colapso

Como brasileiro por escolha e pai de um pernambucano, Armando deixa um recado claro:
protejam as instituições.
Desconfie de perseguições políticas travestidas de justiça.
Não normalizem ataques à liberdade em nome de causas supostamente nobres.

A Venezuela não virou o que virou da noite para o dia. E nenhum país está imune.

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