
A CPI contra o prefeito João Campos nem chegou a sair do papel.
O presidente da Câmara, Romerinho Jatobá, decidiu arquivar o pedido apresentado pelo vereador Thiago Medina, do PL. O argumento foi técnico: segundo ele, não houve “fato determinado”, requisito obrigatório para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
A investigação proposta girava em torno do concurso da Procuradoria do Recife. Um candidato que estava em 63º lugar apresentou laudo de Transtorno do Espectro Autista, foi reclassificado como Pessoa com Deficiência, assumiu a primeira posição na lista de PCD e chegou a ser nomeado.
Depois, a Justiça concedeu liminar favorável ao candidato originalmente aprovado. A Prefeitura revogou a nomeação e empossou o primeiro colocado.
Para Romerinho, como a nomeação foi anulada poucos dias depois, não houve impacto à administração pública nem indícios de tráfico de influência ou nepotismo. Também afirmou que não há responsabilidade do prefeito nem do procurador-geral.
Medina, por sua vez, não recuou. Vai recorrer ao plenário, mesmo reconhecendo que a oposição é minoria e que deve perder. Se isso acontecer, promete levar o caso à Justiça.
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| Vereador Thiago Medina (PL). |
PT negocia com João Campos enquanto presidente municipal assina CPI contra o prefeito
A política do Recife ganhou um capítulo curioso nos últimos dias.
Enquanto o Partido dos Trabalhadores conversa com o prefeito João Campos sobre a possível formação de uma chapa majoritária para disputar o Governo de Pernambuco e o Senado, o presidente municipal do partido tomou uma decisão que chamou atenção.
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| Suplente de vereador Osmar Ricado (PT). |
O ex-vereador Osmar Ricardo, atualmente suplente, que comanda o PT no Recife, foi o responsável por garantir a última assinatura necessária para protocolar o pedido de abertura de uma CPI contra o prefeito na Câmara Municipal.
Ou seja, ao mesmo tempo em que o partido dialoga politicamente com João Campos no campo eleitoral, seu principal representante na capital assinou um pedido para investigar a gestão municipal.
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| Prefeito João Campos (PSB) e o vereador Marco Aurélio Filho (PV). |
Logo depois disso, houve uma mudança na composição da Câmara. Marco Aurélio Filho deixou a gestão municipal e reassumiu o mandato de vereador. Com o retorno dele, Osmar Ricardo voltou à suplência e deixou temporariamente o cargo.
Na prática, isso significa que o parlamentar que ajudou a viabilizar o pedido da CPI não estará no plenário para acompanhar os próximos desdobramentos da proposta.
A CPI acabou sendo arquivada pela presidência da Casa por questões regimentais, mas o episódio deixou uma pergunta no ar: o gesto foi uma demonstração de independência do diretório municipal do PT ou um movimento estratégico em meio às negociações eleitorais?
Na política, especialmente em ano eleitoral, cada assinatura tem peso. E cada movimento pode ter mais de uma leitura.
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