O escândalo que resultou na exoneração de um assessor ligado ao gabinete da deputada Gleide Ângelo começa a revelar um mecanismo mais profundo, e preocupante.
As investigações da chamada Operação Draft apontam para um modelo estruturado de desvio de recursos públicos dentro da Assembleia Legislativa de Pernambuco, com indícios de práticas conhecidas como “rachadinha”.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Civil, o funcionamento seguia um padrão:
* Servidores eram nomeados para cargos com salários entre R$ 6 mil e R$ 18 mil
* Após a nomeação, eram obrigados a devolver a maior parte do salário
* Em alguns casos, ficavam com apenas cerca de R$ 300 mensais
O restante do valor seria repassado a operadores do esquema.
Assista Conectando os Pontos, com Viviane Araújo:
Estrutura organizada
As apurações indicam que o esquema não era isolado, mas sim estruturado:
* Mais de 30 pessoas podem estar envolvidas
* Divisão de funções entre:
A organização funcionaria de forma contínua, com movimentações que levantaram suspeitas ao longo dos anos.
Origem e possível continuidade
Segundo as investigações, o modelo teria surgido ainda durante a atuação do ex-deputado Romário Dias, entre 2015 e 2019.
No entanto, há indícios de que o esquema possa ter continuado até 2024, atravessando diferentes estruturas dentro da Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Prejuízo milionário
O valor já identificado pelas autoridades é de pelo menos R$ 2,8 milhões, mas a estimativa é que o montante total possa ser ainda maior.
As movimentações financeiras analisadas incluem:
Transferências suspeitas
Saques em espécie
Fragmentação de valores
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Ilustração representa o funcionamento de um possível esquema de desvio de recursos investigado na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Foto: Ilustração/ IA / Bora PE |
Indícios de um sistema mais amplo
O que mais chama atenção dos investigadores é a possibilidade de que o esquema não esteja restrito a um único gabinete.
Há sinais de:
Repetição do modelo ao longo dos anos
Participação de diferentes agentes públicos
Continuidade mesmo após mudanças políticas
Nos bastidores, cresce a avaliação de que o caso pode revelar um padrão mais amplo dentro da estrutura pública.
O que dizem as investigações
As apurações seguem sob sigilo em parte, mas fontes ligadas ao caso indicam que novas fases da operação não estão descartadas.
A expectativa é de que:
Novos nomes sejam identificados
Outras estruturas sejam analisadas
O alcance do esquema seja ampliado
O que ainda precisa ser esclarecido
Quem coordenava o esquema
Quantos servidores participaram diretamente
Quanto foi efetivamente desviado
Se outros gabinetes adotaram o mesmo modelo
Se o esquema atravessou anos e diferentes estruturas, a pergunta agora é inevitável: quem mais pode ser atingido?
Na próxima matéria: o efeito dominó do escândalo e o risco de novas exonerações na Alepe.
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