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Marcel van Hattem critica decisão de Flávio Dino que reintegrou Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal./ Foto: Ilustração/IA/Bora Notícia

Deputado do NOVO reage à decisão que devolveu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal e levanta questionamentos sobre decisões monocráticas no Supremo

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal provocou novas reações no meio político e ampliou a discussão sobre os limites das decisões individuais dentro da Suprema Corte.

O episódio ganhou uma nova manifestação nesta quarta-feira (9), após o deputado Marcel van Hattem (NOVO) publicar um vídeo nas redes sociais criticando a decisão de Dino e questionando a forma como o afastamento determinado anteriormente pelo ministro André Mendonça foi revertido.

A decisão de Dino também determinou o retorno de Leandro Almada, diretor de Inteligência da Polícia Federal. Os dois haviam sido afastados por Mendonça na terça-feira (8). A medida de Dino tem efeito imediato e ainda deverá ser analisada pelo plenário do STF.

A nova decisão ocorre após uma sequência de acontecimentos que já havia provocado forte reação política. O Bora PE mostrou anteriormente que o senador Carlos Viana havia pedido a prisão preventiva de Andrei Rodrigues, em meio à controvérsia envolvendo a direção da Polícia Federal.

Leia a matéria anterior do Bora PE sobre o pedido de Carlos Viana

Van Hattem questiona reversão da decisão de Mendonça

No vídeo, Marcel van Hattem questiona o fato de uma decisão individual de um ministro do STF ter revertido uma determinação individual tomada anteriormente por outro integrante da Corte.

Na avaliação do parlamentar, o episódio levanta uma discussão sobre os limites das decisões monocráticas e sobre a necessidade de que questões de grande impacto institucional sejam analisadas pelo colegiado do Supremo.


A crítica ocorre justamente em um momento de forte tensão envolvendo a Suprema Corte e a Polícia Federal.

Van Hattem também questiona a permanência de Andrei Rodrigues no comando da instituição após a decisão de Dino.

As afirmações feitas pelo deputado representam sua avaliação política sobre o episódio e não devem ser confundidas com uma conclusão jurídica definitiva sobre a legalidade das decisões tomadas pelos ministros.

Mendonça havia determinado o afastamento

A crise começou a ganhar força na terça-feira (8), quando André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.

A medida ocorreu em meio a questionamentos envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal e informações relacionadas à atuação do próprio ministro.

Mendonça apontou suspeitas sobre a utilização de informações produzidas pela área de inteligência da PF e determinou medidas cautelares contra os dirigentes.

No dia seguinte, entretanto, Flávio Dino analisou um pedido apresentado por Andrei Rodrigues e decidiu suspender os efeitos do afastamento.

Segundo Dino, havia questões processuais na decisão anterior e o afastamento poderia comprometer investigações em andamento.

Dino determina retorno ao comando da PF

Ao determinar a reintegração, Dino afirmou que a mudança na direção da Polícia Federal poderia provocar prejuízos a investigações em curso.

A decisão também alcançou Leandro Almada, que voltou ao cargo de diretor de Inteligência.

A medida deverá ser submetida ao plenário do STF, o que significa que a decisão individual de Dino ainda poderá ser analisada pelos demais ministros.

O episódio criou uma situação incomum: em um intervalo de aproximadamente 24 horas, uma decisão monocrática determinou o afastamento dos dirigentes da PF e outra decisão monocrática determinou o retorno deles.

É justamente essa sequência que está no centro das críticas de Van Hattem.

Caso “Dark Horse” aparece entre os argumentos

Entre os argumentos utilizados para justificar a reintegração está a possibilidade de prejuízo a investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Um dos procedimentos mencionados envolve o chamado caso “Dark Horse”, relacionado ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação apresentada na decisão, alterações na estrutura de comando da PF poderiam interferir no andamento de investigações em curso.

Van Hattem, entretanto, questiona a necessidade de manter Andrei Rodrigues especificamente no cargo de diretor-geral para garantir a continuidade das investigações.

O debate, portanto, ultrapassa a permanência de um delegado no comando da instituição e passa a envolver a própria estrutura de funcionamento da Polícia Federal.

Relação anterior entre Dino e Andrei entra no debate

Outro ponto levantado por Van Hattem é a relação institucional anterior entre Flávio Dino e Andrei Rodrigues.

Andrei foi escolhido para comandar a Polícia Federal durante o período em que Dino ocupava o Ministério da Justiça.

O deputado utiliza essa relação anterior como um dos argumentos para questionar a decisão tomada agora pelo ministro do STF.

É importante destacar, porém, que a existência de uma relação institucional anterior não comprova, por si só, impedimento ou suspeição jurídica.

Qualquer eventual discussão sobre impedimento ou suspeição precisa ser analisada à luz das circunstâncias concretas e das regras jurídicas aplicáveis.

NOVO também está envolvido no episódio

A discussão ganhou ainda mais peso porque o próprio partido de Van Hattem, o NOVO, acionou o Supremo no contexto do caso.

Na decisão que determinou a reintegração, Dino questionou a legitimidade da legenda para formular determinadas medidas cautelares em uma investigação criminal.

O entendimento apresentado pelo ministro passou a ser mais um ponto de divergência entre o Supremo e setores da oposição.

Van Hattem, por sua vez, mantém uma postura crítica à atuação da Corte e utiliza o episódio para defender uma discussão mais ampla sobre os limites do poder individual dos ministros.

Uma crise que ainda não terminou

A sequência de decisões colocou novamente em evidência um debate que vem sendo recorrente na política brasileira: até onde pode ir o poder de uma decisão monocrática dentro do Supremo?

De um lado, Mendonça determinou o afastamento dos dirigentes da Polícia Federal diante das suspeitas envolvendo relatórios de inteligência.

De outro, Dino suspendeu os efeitos da decisão e determinou o retorno de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, apontando questões processuais e o risco de prejuízo às investigações.

Agora, caberá ao plenário do STF analisar a decisão de Flávio Dino.

Enquanto isso, as críticas de Marcel van Hattem acrescentam uma nova dimensão política ao episódio.

O caso reúne temas de grande repercussão nacional: Polícia Federal, inteligência, decisões monocráticas, atuação do Supremo, independência institucional e os limites entre os Poderes.

E, diante da velocidade com que novas decisões vêm sendo tomadas, o próximo capítulo poderá novamente alterar o cenário.

O Bora PE acompanha os desdobramentos do caso e continuará informando sobre as decisões que envolvem o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal.

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