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| Samuel Salazar comandará a Câmara Municipal do Recife no biênio 2027–2028. Foto: Carlos Lima/CMR. |
Eleição de Samuel Salazar para a presidência da Câmara no biênio 2027–2028 movimenta os bastidores políticos e coloca em pauta a relação com a Prefeitura, a autonomia do Legislativo e a fiscalização dos recursos públicos.
A Câmara Municipal do Recife terá uma nova direção a partir de janeiro de 2027. A eleição do vereador Samuel Salazar (MDB) para a presidência da Casa, no biênio 2027–2028, movimentou as articulações políticas e colocou em evidência a relação entre o Legislativo e a Prefeitura, atualmente comandada por Victor Marques (PCdoB).
Samuel foi eleito no dia 21 de outubro, com 35 votos dos 36 registrados. A escolha ocorreu por meio de uma chapa de consenso, construída após semanas de articulação entre os vereadores. O parlamentar substituirá Romerinho Jatobá (PSB), que também deixará a presidência para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
A eleição tem um componente político importante. Samuel Salazar esteve à frente da liderança do governo João Campos na Câmara durante seis anos, período em que participou diretamente das negociações entre o Executivo e os vereadores. Com a mudança de função, passa a ocupar uma posição que exige equilíbrio entre articulação política e independência institucional.
A nova composição também evidencia a força da base governista na condução do Legislativo. Levantamento publicado pelo jornalista Jamildo Melo aponta que oito dos nove integrantes eleitos para a Mesa Diretora estão vinculados ao campo político do prefeito Victor Marques. O vereador Fred Ferreira (PL), escolhido para a terceira vice-presidência, é apontado como o único integrante de fora da base.
Esse cenário chama atenção porque a Câmara não tem apenas a função de aprovar projetos encaminhados pela Prefeitura. Cabe aos vereadores fiscalizar os atos do Executivo, acompanhar a aplicação dos recursos públicos e cobrar explicações sobre decisões administrativas. A proximidade política entre os poderes pode facilitar o diálogo e a tramitação de propostas, mas não elimina a responsabilidade do Legislativo de exercer sua função fiscalizadora.
Com a saída de Samuel da liderança governista, o prefeito Victor Marques escolheu o vereador Rinaldo Júnior (PSB) para assumir a interlocução do governo na Câmara. A mudança reorganiza a articulação política da Prefeitura e abre uma nova etapa na relação entre os dois poderes.
Outro ponto que merece atenção é o orçamento municipal de 2027. A proposta encaminhada pela Prefeitura ultrapassa R$ 14 bilhões e está em análise na Câmara. O valor previsto coloca em evidência a responsabilidade dos vereadores na discussão das prioridades e no acompanhamento dos investimentos em áreas como saúde, educação, mobilidade, infraestrutura e drenagem.
A tramitação envolve a Lei Orçamentária Anual (LOA) e a revisão do Plano Plurianual (PPA) 2026–2029. Uma audiência pública virtual está marcada para 11 de novembro, das 11h às 12h, para discutir os projetos. A participação popular também está prevista, mediante inscrição para manifestações.
Além das articulações políticas e da análise do orçamento, Samuel Salazar anunciou a intenção de aproximar a Câmara da população. Entre as prioridades para o próximo biênio estão a transferência do Legislativo para uma nova sede e a ampliação dos canais de comunicação, incluindo a proposta de reativação da TV Câmara em sinal aberto e digital.
A mudança de endereço, porém, ainda depende de etapas administrativas, como elaboração de projetos, licitações e execução das obras. Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o presidente eleito reconheceu que o processo exige planejamento e destacou a transferência como uma das prioridades de sua futura gestão.
A nova direção também terá a oportunidade de ampliar a transparência das atividades parlamentares e facilitar o acesso da população às decisões tomadas na Casa de José Mariano. Mais do que divulgar sessões e votações, o desafio será fazer com que o cidadão compreenda como as decisões dos vereadores interferem na administração da cidade.
A partir de janeiro, a atuação da Mesa Diretora será acompanhada não apenas pela capacidade de articulação política, mas também pela condução dos trabalhos legislativos e pelo espaço destinado à fiscalização do Executivo.
Para o Recife, governabilidade e fiscalização precisam caminhar juntas. O diálogo entre Prefeitura e Câmara é importante para a cidade, mas a independência dos poderes, a transparência e a responsabilidade com o dinheiro público não podem ficar em segundo plano.
O Bora Notícia acompanhará os próximos passos dessa relação, observando as decisões da Prefeitura, a atuação dos vereadores e os impactos das escolhas políticas na vida dos recifenses.





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