Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) colocou um freio em uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco e levou o caso para a Polícia Federal (PF).
O ministro Gilmar Mendes determinou, na última sexta-feira (30/1), que a PF apure um suposto monitoramento ilegal contra aliados do prefeito do Recife, João Campos (PSB), suspendendo qualquer apuração feita no âmbito estadual.
Para o STF, há indícios de que órgãos do Estado possam ter sido usados fora da legalidade, sem autorização judicial e sem abertura formal de inquérito, algo que, segundo a Corte, fere princípios básicos da Constituição, como a legalidade, a impessoalidade e a neutralidade das instituições públicas, especialmente em ano eleitoral.
O que motivou a decisão
De acordo com informações levadas ao STF, agentes da Polícia Civil teriam monitorado, de forma clandestina, pessoas ligadas ao núcleo político de João Campos, incluindo o secretário municipal de Articulação Política e Social. As ações teriam envolvido rastreamento de veículos e uso de recursos de inteligência sem ordem judicial. Para Gilmar Mendes, esse tipo de prática é grave e não pode ser tolerada em um Estado Democrático de Direito. O ministro destacou que investigar sem limites legais abre espaço para abusos, perseguições políticas e uso indevido da estrutura pública. Na prática, o STF entendeu que a investigação estadual perdeu a legitimidade e que caberia à Polícia Federal, órgão de alcance nacional e com maior controle institucional, esclarecer os fatos.
Legalidade acima de tudo
Ninguém pode usar o poder do Estado para fins políticos.
A Constituição é clara ao estabelecer que:
Não existe investigação válida sem base legal;
Não há democracia quando órgãos de segurança viram instrumentos de disputa política;
Eleições só são legítimas quando o jogo é limpo e equilibrado.
Ao transferir o caso para a PF, o STF busca garantir transparência, imparcialidade e respeito à lei, evitando que forças estaduais sejam usadas como ferramenta de pressão ou intimidação.
O que disse João Campos
O prefeito do Recife comemorou publicamente a decisão e usou suas redes sociais para cobrar esclarecimentos. Segundo João Campos, a atuação da PF representa um passo importante para que a verdade venha à tona. “A Polícia Federal agora está no caso. A decisão do STF é fundamental para garantir justiça. Pernambuco precisa saber quem mandou, por que mandou e a quem interessou agir fora da lei, ainda mais em um ano eleitoral”, afirmou o prefeito.
Campos disse respeitar a Polícia Civil como instituição, mas reforçou que nenhuma corporação pode ser usada como polícia política.
Posicionamento do Governo do Estado
Antes da decisão do STF, a governadora Raquel Lyra (PSD) saiu em defesa da Polícia Civil. Segundo ela, a corporação agiu dentro da legalidade e a investigação teria sido motivada por denúncias formais.
Raquel afirmou que a Polícia Civil é uma instituição de Estado, não de governo, e que não atua para favorecer ou perseguir grupos políticos. A governadora também declarou que ninguém pode estar acima da lei e que denúncias precisam ser apuradas com responsabilidade.
Com a decisão do STF, caberá agora à Polícia Federal confirmar se houve abuso, desvio de finalidade ou uso político da estrutura de segurança.
Impacto direto no cenário eleitoral
A decisão acontece em meio à pré-campanha para o governo de Pernambuco em 2026, com João Campos e Raquel Lyra figurando como protagonistas da disputa.
Para o eleitor conservador, o caso acende um alerta importante:
O uso indevido da máquina pública precisa ser combatido;
Forças de segurança devem servir ao povo, não a projetos de poder;
Eleições só são legítimas quando há Estado forte, mas limitado pela lei.
A investigação da PF pode trazer consequências políticas relevantes e mudar o tom da disputa, dependendo do que for apurado.
📌 Em resumo
✔ STF suspende investigação da Polícia Civil de Pernambuco
✔ Polícia Federal assume apuração sobre possível monitoramento ilegal
✔ Decisão reforça legalidade, neutralidade do Estado e segurança jurídica
✔ Caso ganha peso eleitoral e amplia o debate sobre uso político das instituições
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