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| Foto Divulgação |
Com custos já elevados, motoristas temem que a nova estrutura de impostos reduza ainda mais os ganhos e encareça as corridas para a população.
A reforma tributária aprovada no Brasil voltou a provocar debate entre trabalhadores autônomos e especialistas em economia. Um dos grupos que acompanha com atenção as mudanças é o dos motoristas de aplicativo que atuam em plataformas como Uber e 99.
A nova estrutura de impostos criada pelo Congresso prevê a substituição de tributos atuais por um modelo inspirado no sistema de Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Especialistas estimam que a carga total do novo modelo poderá chegar a cerca de 26,5%, percentual que gerou preocupação entre trabalhadores e empresários.
Segundo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reforma tem como objetivo simplificar o sistema tributário brasileiro, considerado um dos mais complexos do mundo.
Ainda assim, analistas alertam que o novo modelo pode trazer impactos relevantes para o setor de serviços, área onde se enquadra o trabalho realizado por motoristas de aplicativo.
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| Ilustração/IA/Bora PE |
O que muda com a reforma tributária
A proposta aprovada substitui diversos tributos existentes por dois novos impostos principais:
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – tributo federal
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – tributo compartilhado entre estados e municípios
Esses novos impostos vão substituir tributos como:
O objetivo declarado é simplificar a cobrança e reduzir a burocracia tributária no país.
Preocupação entre trabalhadores
Apesar da promessa de simplificação, trabalhadores autônomos demonstram preocupação com possíveis impactos no custo de vida e na renda de quem depende da atividade para sobreviver.
No caso dos motoristas de aplicativo, o receio é que a nova estrutura tributária aumente os custos indiretos da atividade, já que o setor de serviços pode sofrer alterações na forma de tributação.
Para muitos trabalhadores, a atividade já envolve despesas significativas, como combustível, manutenção do veículo, troca de pneus e taxas cobradas pelas plataformas.
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| Ilustração/IA/Bora PE |
Exemplo prático da realidade de um motorista
Para entender melhor a situação, veja uma simulação aproximada da rotina financeira de um motorista de aplicativo:
| Situação financeira mensal | Valor aproximado |
|---|---|
| Faturamento bruto | R$ 6.000 |
| Combustível | R$ 1.800 |
| Taxas do aplicativo | R$ 1.500 |
| Manutenção e despesas | R$ 600 |
| Renda líquida aproximada | R$ 2.100 |
Esse tipo de cenário ajuda a explicar por que mudanças no sistema tributário são acompanhadas com atenção por quem depende da atividade.
Setor cresceu nos últimos anos
O trabalho por aplicativo cresceu rapidamente no Brasil, principalmente após a pandemia, quando muitas pessoas passaram a buscar novas fontes de renda.
Hoje, milhões de brasileiros utilizam plataformas de transporte para trabalhar de forma autônoma ou complementar o orçamento familiar.
Para muitos trabalhadores, dirigir para aplicativos representa uma alternativa diante das dificuldades do mercado formal de trabalho.
Mudanças serão graduais
A reforma tributária não entra em vigor imediatamente. O novo sistema deve começar a ser implementado gradualmente a partir de 2027, com um período de transição que pode se estender até 2033.
Durante esse tempo, o governo, estados e municípios deverão regulamentar os detalhes da nova estrutura de impostos.
Especialistas apontam que a forma como essas regras serão definidas nos próximos anos será decisiva para determinar os impactos reais da reforma na economia e no dia a dia da população.
Debate continua no país
Enquanto o governo defende que a reforma poderá modernizar o sistema tributário e estimular investimentos, críticos afirmam que o novo modelo ainda levanta dúvidas sobre possíveis efeitos no custo de serviços e na renda de trabalhadores autônomos.
Com milhões de brasileiros atuando na chamada economia de aplicativos, o tema promete continuar no centro do debate econômico nos próximos anos.
Carga tributária estimada sobre consumo
| Região | Média aproximada |
|---|---|
| Brasil (estimativa do novo modelo) | 26,5% |
| média de países da OCDE | cerca de 19% |
A reforma tributária representa uma das maiores mudanças no sistema de impostos do Brasil nas últimas décadas. Embora o objetivo declarado seja simplificar a cobrança de tributos, trabalhadores de diversos setores, incluindo motoristas de aplicativo, seguem atentos às regulamentações que ainda serão definidas.
Nos próximos anos, as decisões tomadas pelo Congresso e pelos governos estaduais e municipais serão determinantes para definir como a reforma afetará o cotidiano da população e o funcionamento da economia brasileira.
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