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A Polícia Federal deu um novo passo nas investigações sobre um dos maiores escândalos corporativos da história do Brasil. Nesta quinta-feira (25), agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo durante a segunda fase da Operação Disclosure, que apura a fraude contábil revelada nas Lojas Americanas em 2023.

A decisão da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o bloqueio de até R$ 54 bilhões em bens e valores ligados aos investigados, valor que chama atenção pelo tamanho e reforça a dimensão do caso.

O que a Polícia Federal investiga?

Segundo a PF, a suspeita é de que ex-executivos da companhia tenham manipulado demonstrações financeiras durante vários anos para esconder dívidas bilionárias e apresentar resultados muito melhores do que a realidade.

Na prática, a investigação aponta que os balanços teriam sido alterados para fazer a empresa parecer mais lucrativa, elevando o preço das ações negociadas na Bolsa de Valores.


De acordo com a apuração, os envolvidos ainda poderiam receber bônus milionários vinculados ao desempenho financeiro da empresa e obter ganhos com a venda de ações valorizadas artificialmente.

A Polícia Federal afirma que há indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

Quem é alvo da operação?

Entre os investigados estão empresários, ex-conselheiros da Americanas e executivos ligados a grandes instituições financeiras.

Os alvos incluem:

- Carlos Alberto Sicupira, controlador das Americanas (foto/capa);
- Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-conselheiro da empresa;
- Sérgio Rial, ex-CEO da Americanas e ex-presidente do Santander;
- Executivos ligados ao Santander;
- Executivos do Itaú;
- Executivo do Bradesco;
- Ex-integrantes do Conselho de Administração da companhia.

Até o momento, não há condenações relacionadas a esta fase da investigação.

O que dizem os investigados?

Os acionistas de referência afirmaram que foram surpreendidos pela operação e sustentam que também foram enganados pela antiga diretoria da empresa.

Segundo nota divulgada pela defesa, eles dizem colaborar com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal desde que as irregularidades vieram à tona, em janeiro de 2023.

A Americanas informou que não foi alvo dos mandados desta etapa e afirmou continuar colaborando com as investigações.

Já Santander e Bradesco declararam estar à disposição das autoridades e reforçaram que seguem colaborando com os órgãos responsáveis.

Como começou o escândalo?

O caso ganhou repercussão nacional em janeiro de 2023, quando a Americanas revelou inconsistências contábeis bilionárias.

Dias depois, a companhia entrou com um pedido de recuperação judicial envolvendo uma dívida estimada em cerca de R$ 43 bilhões, atingindo mais de 16 mil credores.


Em junho de 2024, a primeira fase da Operação Disclosure teve como foco ex-diretores da empresa. Na época, a Polícia Federal estimava a fraude em aproximadamente R$ 25 bilhões.

Agora, com a nova fase da operação e o bloqueio judicial de até R$ 54 bilhões, as investigações entram em um momento decisivo para esclarecer quem sabia da fraude, quem participou do esquema e quais responsabilidades poderão ser atribuídas aos envolvidos.

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